Disputa de milicianos pela exploração da cobrança irregular de taxas estaria por trás de incêndio em postos

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RIO — Uma disputa de milicianos rivais pela exploração da cobrança irregular de taxas impostas a comerciantes e a motoristas do transporte alternativo, na Zona Oeste do Rio, é a principal linha de investigação seguida pela polícia para apurar quem são os responsáveis por dois ataques a postos de gasolina que tiveram instalações incendiadas, na madrugada desta quinta-feira, em Santa Cruz. Horas antes dos crimes, cometidos por homens armados e encapuzados, mensagens circularam nas redes sociais informando que moradores deveriam evitar ficar nas ruas por conta de ações que seriam executadas por milicianos.

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Um vídeo onde homens do bando comando por Luiz Anda Silva Braga, o Zinho, aparecem armados de fuzis chamando para uma guerra a quadrilha rival de Danilo Dias Lima, o Danilo Tandera, também circulou nas redes sociais.

"Só fuzileiro naval. É o bonde do Zinho. É o bonde pesadão. Caçador de Tandera. Vamos que vamos atrás de tu", afirmam os criminosos nas imagens. As postagens estão sendo investigadas pela Polícia Civil.

Os postos atacados ficam às margens da Avenida Brasil, na pista sentido Zona Oeste, separados um do outro por uma distância aproximada de 500 metros. No primeiro estabelecimento, os bandidos entraram armados de fuzis, entre 2h e 3h. Em seguida, expulsaram funcionários e atearam fogo no local. As chamas destruíram duas das quatro bombas de gasolina, além de parte do teto e ainda uma espécie de escritório. O estrago só não foi maior porque uma válvula de segurança isolou automaticamente os tanques de gás evitando uma explosão. No segundo estabelecimento, os bandidos atearam fogo apenas em uma loja de conveniência.

Nesta quinta-feira, funcionários passaram boa parte da manhã tentando limpar os dois locais. Eles preferiram não comentar os ataques. Ninguém ficou ferido nas duas ações. Informações preliminares recebidas pela polícia dão conta de que os bandidos fugiram sem levar dinheiro ou outro objeto de valor. O delegado Adilson Palácio, da 36ª DP (Santa Cruz), disse que a polícia vai apurar quem são os executores e os mandantes da duas ações criminosas.

— Estamos levantando todas as informações e estamos atentos a todas as possibilidades. Foram instaurados inquéritos pela 36ª DP para apurar a autoria dos crimes e sues mandantes — disse o delegado.

A Polícia Civil fez uma perícia nos dois postos. De acordo com a corporação, homens do Departamento Geral de Polícia Especializada e da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Orgânicas e de Inquéritos Especiais (Draco-IE) estão apoiando o trabalho de investigação que está sendo feito pela 36ª DP.

A disputa entre milícias rivais se acentuou no dia 16 de setembro, quando homens do bando de Danilo Tandera queimaram seis vans em Paciência, Santa Cruz e Campo Grande, áreas que até então eram dominadas pela milícia de Zinho. O episódio causou a morte de seis pessoas num espaço de seis dias. No último sábado, milicianos da quadrilha de Zinho foram vistos circulando armados, em 12 carros, no Conjunto dos Jesuítas, em Santa Cruz. No mesmo dia, as milícias rivais também se envolveram em um confronto em Seropédica, na Baixada Fluminense.

De acordo com estimativas da polícia, os negócios explorados pela milícia chegam a movimentar R$ 10 milhões por mês. Só com a cobrança de taxas impostas aos motoristas de vans, os paramilitares arrecadam uma quantia estimada em R$ 2 milhões.

Zinho e Tandera faziam parte de uma mesma milícia, sendo que o segundo era o encarregado de explorar os negócios da quadrilha em bairros de Nova Iguaçu, Seropédica e Itaguaí, na Baixada Fluminense. No fim do ano passado, houve um racha e as quadrilhas passaram a disputar território. Os dois milicianos são considerados foragidos e estão com as respectivas prisões preventivas decretadas pela Justiça.

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