Disputa por vaga no TCE abre crise entre Castro e Reis, cotado para vice

A disputa pela vaga aberta no Tribunal de Contas do Estado do Rio (TCE-RJ) abriu uma crise entre o governador Cláudio Castro (PL), que tentará a reeleição, e o nome mais cotado para ser seu vice, o ex-prefeito de Duque de Caxias Washington Reis (MDB). A turbulência ficou evidente depois de o deputado estadual Val Ceasa (Patriota), que despontava como favorito ao colegiado, ter retirado a sua candidatura por pressão de Castro e anunciado apoio ao deputado estadual Márcio Pacheco (PSC) na tarde de ontem.

Pacheco é o mais próximo aliado de Castro na política, e seus gabinetes na Câmara dos Vereadores e na Alerj já empregaram no passado o próprio governador, na função de chefe de gabinete, além de alguns de seus parentes.

O ex-prefeito de Caxias, que tem um irmão na disputa, o deputado estadual Rosenverg Reis (MDB), criticou o acordo e negou que a família vá sair da corrida — ele afirma que representantes do Palácio Guanabara propuseram que Rosenverg também deixasse a disputa. A eleição ocorrerá na quinta-feira, e a indicação cabe à Alerj.

— Esse movimento (de negociação por parte do governador) foi muito abrupto e me causa muita estranheza. O Márcio Pacheco, mesmo sendo líder do governo, não atraía votos suficientes no plenário da Alerj para ser indicado ao TCE. De repente, o Val Ceasa, tido como favorito, sai do páreo após uma conversa com Castro e passa a apoiá-lo? Foi um dia muito estranho na política do Rio. Nunca vi um governador atuar de forma tão explícita em prol de alguém numa disputa para o tribunal — reclamou Washington Reis.

Sobre a hipótese de a fissura afastá-lo do posto de vice de Castro, Reis, por ora, pontua que não vai “pensar de cabeça quente nem condicionar uma coisa à outra”.

Castro interveio na disputa após ver a sua base rachar com o lançamento de ao menos três candidaturas simultâneas ao posto. Até então, ele se mantinha isento e não se comprometia com nenhum dos postulantes.

Para convencer Val Ceasa a sair da corrida, Castro precisou usar os cargos que o deputado controla: com postos na Ceasa e na estrutura da Secretaria Estadual de Agricultura, ele teve que escolher entre concorrer ao cargo de conselheiro e continuar com essa influência no governo. Outros deputados que controlam esses espaços, como Dr. Deodalto (PL), Valdecy da Saúde (PL) e Jair Bittencourt (PL) também perderiam cargos por apoiá-lo.

Agora, a manutenção da candidatura de Rosenverg pode comprometer o arco de aliança já formado às vésperas da eleição. A intenção do governo era definir com a família Reis um acordo em outros termos: além de Washington Reis concorrer como vice, Rosenverg poderia ter o controle de várias pastas em um eventual próximo mandato.

A mobilização em torno de Márcio Pacheco também mostra um alinhamento entre Castro e o petista André Ceciliano, que preside a Assembleia. Os dois tentam fazer valer um acordo firmado anos atrás: pré-candidato à presidência da Alerj em 2019, Pacheco abriu mão da disputa em troca de um empurrão para o TCE, deixando o caminho livre para Ceciliano.

Denúncia por “rachadinha”

Apesar da proximidade com o governador e do apoio do atual presidente da Alerj, Pacheco era considerado até ontem o postulante mais fraco em termos de votos no plenário da Alerj. Ele foi o primeiro parlamentar da Casa a ser denunciado pelo Ministério Público no caso das “rachadinhas”, o que gera constrangimento entre os pares — a acusação ainda não foi analisada pela Justiça.

Enquanto a Alerj debate o nome do novo conselheiro, a corte estadual, composta por sete membros, segue incompleta desde 2017, quando cinco conselheiros foram afastados pela Justiça sob suspeita de corrupção revelada pela Lava-Jato fluminense. Hoje, o TCE funciona com cinco integrantes. Desses, apenas dois são titulares, nomeados após passarem por sabatina na Alerj. Três são conselheiros substitutos — servidores públicos concursados.

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