Disputas internas entre democratas ameaçam projeto de Biden nos EUA

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Joe Biden é fotografado em junho de 2021 em frente à Casa Branca com um grupo bipartidário de senadores, incluindo Joe Manchin (2º da direita) (AFP/WIN MCNAMEE)
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Oito meses depois que Joe Biden venceu as eleições presidenciais dos Estados Unidos com a promessa de tornar o país mais habitável, justo e ecologicamente correto, uma guerra dentro de seu Partido Democrata ameaça destruir sua agenda.

Disputas internas não são novidade em Washington, mas os projetos de gastar até US$ 5 trilhões para reconstruir a economia após a pandemia expuseram a extensão dessas divisões no Congresso.

As divergências entre as facções de centro e esquerda do partido são tão profundas que poderiam facilmente deixar Biden sem um legado e enterrar as chances dos democratas nas eleições de meio de mandato do próximo ano.

Na sexta-feira de manhã, é possível que o projeto de lei sobre infraestrutura de US$ 1,2 trilhão - que tem apoio democrata e republicano - tenha fracassado, colocando em risco um pacote de investimento de US$ 3,5 trilhões destinado a crianças, educação e proteção do meio ambiente.

Os moderados querem que a Câmara dos Representantes aprove o projeto de infraestrutura que já recebeu o aval do Senado, dando a Biden uma vitória tranquila enquanto o pacote mais amplo é negociado.

Mas espera-se que até 50 progressistas na Câmara derrubem o projeto bipartidário se não tiverem um compromisso claro com a legislação mais ampla.

Eles argumentam que já cederam no valor do projeto - que começou em US$ 6 trilhões - e que demonstraram coesão em um pacote de ajuda econômica para a pandemia de US$ 1,9 trilhão, que foi aprovado no início deste ano.

A líder democrata do Congresso, Nancy Pelosi, é sempre rápida em enquadrar as divergências internas como "discussões familiares" que, em última instância, promovem a unidade do partido.

Mas os progressistas foram encorajados desde a eleição a expressar em termos cada vez mais duros sua frustração com os centristas, que eles veem como muito dispostos a subjugar os valores democratas ao bipartidarismo.

Alexandria Ocasio-Cortez, a emissária mais proeminente dos progressistas em Washington, exortou os colegas centristas a vê-los como aliados, não inimigos.

- "Dividir, dividir, dividir" -

Mas Ocasio-Cortez recentemente criticou Joe Manchin, um centrista da Virgínia, por sua posição sobre a mudança climática, depois que ele se recusou a apoiar o projeto de US$ 3,5 trilhões.

Ocasio-Cortez disse que Manchin permitiu que lobistas da indústria do petróleo ditassem suas posições sobre o clima e o acusou de "'corrupção bipartidária' disfarçada de moderação".

Manchin, por sua vez, atacou a congressista por uma retórica "simplesmente horrível" que teria o único propósito de "dividir, dividir, dividir".

Ilhan Omar, outra progressista, sugeriu em uma entrevista na segunda-feira que Manchin e outros centristas que resistem ao alto custo do projeto de investimento social estavam no partido errado.

"É triste vê-los usar argumentos republicanos, obviamente não planejamos ter republicanos como parte de nosso partido", criticou ela à CNN.

- Diversidade vs unidade -

Se as disputas internas dos democratas às vezes parecem inevitáveis, é porque o espírito do partido valoriza tanto a diversidade quanto a unidade.

Os democratas se orgulham de representar uma nação díspar de 320 milhões de pessoas com interesses conflitantes e linhas ideológicas divergentes.

A coalizão de Biden incluiu residentes urbanos mais jovens que desconfiam da polícia e exigem justiça racial, eleitores negros religiosos mais velhos, defensores de um plano de saúde universal e dos direitos dos transexuais.

Há também mulheres brancas com ensino superior que veem o socialismo como uma ameaça real, mas consideram Donald Trump repulsivo, latinos lutando pela reforma da imigração e defensores fervorosos dos direitos reprodutivos das mulheres.

Como resultado, os democratas conquistaram o voto popular por margens confortáveis em todas as eleições, exceto uma nos últimos 30 anos, e seus 50 senadores representam milhões de eleitores a mais do que os 50 republicanos.

Ao mesmo tempo, porém, o partido também tem mais dificuldade em agradar cada um de seus eleitores.

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