'Disseram que eu era velha para começar', diz chef Malu Mello

RIO — Nascida em Paty do Alferes, Malu Mello cresceu em uma família de agricultores e sua relação com a comida começou ainda criança, quando colhia alimentos da horta. Aos 14 anos, trabalhava como babá e estudava no turno da noite. Dos oito irmãos, foi a primeira a terminar o 2º grau, atual ensino médio, e logo se tornou professora. Para cursar Administração de Empresas, fazia e vendia doces e empadões.

— Ali, a gastronomia já me ajudava e eu nem sabia — recorda Malu.

Aos 23 anos, a jovem veio para o Rio e começou a trabalhar como corretora de imóveis. Na época, quando recebia amigos em casa, sempre ouvia elogios às refeições que preparava. Em 2013, tomou coragem e decidiu mudar de rumo: ingressou na faculdade de Gastronomia. Ao se formar, em 2016, já era chef do restaurante Barraca da Chiquita. Hoje, 13 anos depois, Malu é membro da Federazione Italiana Cuochi, dá consultorias e tem seu próprio negócio de catering, em Jacarepaguá:

— Desde nova eu aprendi a aproveitar todo tipo de alimento. Tripa, por exemplo, nunca jogamos fora. Quando não usávamos algo, partilhávamos com os vizinhos. A gastronomia mudou a minha existência.

Até fazer seu nome, porém, Malu conta que sofreu muito preconceito:

— Alguns profissionais achavam que eu era muito velha para entrar na área. Também sofri preconceito por ser mulher. Diziam que eu não chegaria a lugar algum. Ainda bem que perseverei. Quando estou na cozinha, relaxo e esqueço do mundo, consigo me desligar de tudo — diz a chef, que, a seguir, ensina três receitas.

Aprenda três receita de Malu Mello

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