Dissidência pede 'corredor humanitário' em Cuba, mas governo descarta

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(Arquivo) Pessoas conversam perto de uma área restrita devido a casos de covid-19 em Havana, em 5 de maio de 2021

Um grupo de oposição cubano denunciou neste sábado (10) que a ilha vive uma "crise humanitária" devido ao alarmante aumento das infecções por covid-19 e pediu o estabelecimento de "um corredor humanitário", o que o governo rejeitou veementemente.

A denúncia ocorreu em um dia em que Cuba registrou outro recorde de infecções em 24 horas, com 6.750 casos, em um total de 231.568. Com 11,2 milhões de habitantes, a ilha relata 1.490 mortes.

“O Conselho para a Transição Democrática apoia (...) a campanha promovida pelos cubanos que de várias partes do mundo pedem ao governo de Cuba (...) a criação de um corredor humanitário”, afirmou em nota enviada à imprensa internacional.

A crítica dos opositores coincide com o apelo lançado em carta aberta online por um grupo de intelectuais e acadêmicos cubanos na quarta-feira, incluindo o cineasta Fernando Pérez e o economista Carmelo Mesa Lago.

“Facilitem e viabilizem o processo para permitir a entrada de medicamentos e insumos médicos no país” e “colaborem com os doadores”, pediram ao governo os signatários.

- "Não se aplicam a Cuba" -

Por sua vez, o governo cubano reconhece uma "situação epidemiológica complexa", mas rejeita o termo "crise humanitária" e descarta a possibilidade de criar um "corredor humanitário".

“Conceitos ligados a corredor humanitário e ajuda humanitária estão associados a zonas de conflito e não se aplicam a Cuba”, disse o diretor de Assuntos Consulares e Atenção aos Cubanos Residentes no Exterior, Ernesto Soberón, em entrevista coletiva neste sábado.

O responsável destacou que, desde o início da pandemia em março de 2020, seu país recebeu "543 doações de governos, empresas estrangeiras e cubanos residentes em 51 países".

“Rejeitamos a campanha de desinformação que tenta confundir nossos compatriotas no exterior com a opinião pública internacional”, declarou Soberón.

- Matanzas, o epicentro -

Em seu texto, os ativistas destacam a situação "caótica" na turística província de Matanzas, localizada a 100 km de Havana, onde o alto número de infecções ameaça colapsar os serviços de saúde.

As autoridades cubanas enviaram para lá esta semana uma brigada de 500 médicos e enfermeiros, bem como recursos de saúde e alimentos, segundo a mídia local.

Para "conter a disseminação" do coronavírus, o Ministério da Saúde de Cuba anunciou neste sábado um pacote de medidas que entrará em vigor na próxima quinta-feira.

As novas disposições estabelecem um "isolamento obrigatório de 14 noites" em hotéis para todos os cubanos que chegam ao país pelos aeroportos de Varadero e de Cayo Coco.

Além disso, prevêem "a realização sistemática de testes" rápidos para trabalhadores de transporte e turismo, entre outras medidas.

Cuba autorizou na sexta-feira o uso emergencial de sua vacina anticovid Abdala, a primeira da América Latina, que tem 92,28% de eficácia contra o risco de contrair covid-19 com sintomas, segundo as autoridades.

Multiplicam-se tanto nas ruas como nas redes sociais - sob as hashtags #SOSCuba e #SOSMatanzas" - as iniciativas de apoio ao país e em especial à província mais afetada.

Toda oposição é ilegal em Cuba e o governo acusa os dissidentes de serem financiados pelos Estados Unidos.

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