Distância entre Bolsonaro e Lula cai em 2 dos 3 maiores colégios eleitorais

Há pouco mais de duas semanas do primeiro turno, Lula segue com ampla vantagem sobre Bolsonaro - Foto: MIGUEL SCHINCARIOL/AFP via Getty Images/ EVARISTO SA/AFP via Getty Images)
Há pouco mais de duas semanas do primeiro turno, Lula segue com ampla vantagem sobre Bolsonaro - Foto: MIGUEL SCHINCARIOL/AFP via Getty Images/ EVARISTO SA/AFP via Getty Images)

Em segundo lugar nas principais pesquisas de intenção de voto para a Presidência da República, o presidente Jair Bolsonaro (PL) avançou e reduziu a distância para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em São Paulo e Minas Gerais, dois dos três maiores colégios eleitorais do País.

A queda é ocasionada, principalmente, pelo avanço, mesmo que lento, do atual mandatário do país e pela estagnação do petista.

Levantamentos da pesquisa Datafolha divulgados após o começo da campanha, mostravam em 18 de agosto, que Lula tinha 44%, contra 31% de Bolsonaro em São Paulo, região com 34,6 milhões de eleitores. Já nesta quinta-feira (15), a distância entre ambos caiu 10 pontos, diante dos 43% do ex-presidente e 33% do atual titular do Palácio do Planalto.

Em Minas, a mudança também foi significativa. A distância entre ambos aponta 15 pontos em agosto, Lula somava 47%, enquanto Bolsonaro pontuava 32%. Foi a maior diferença registrada pelo instituto nos três estados. Agora, o mandatário do país está a 10 pontos do seu principal adversário, com 33%, ante os 43% de Lula.

Veja as últimas pesquisas eleitorais para presidente:

Maior colégio eleitoral do País, São Paulo tem 22,16% da população apta a votar este ano. Minas é o segundo maior, com 10,41%. Juntos, os Estados abrigam um a cada três votantes do País.

Somente no berço eleitoral de Bolsonaro, Rio de Janeiro, a diferença entre os dois aumentou. Em agosto, Lula (41%) liderava com seis pontos à frente de Bolsonaro (35%). Na pesquisa mais recente, a vantagem do petista foi a oito pontos.

Para o cientista político Rodolfo Marques a redução da distância entre os candidatos “está dentro da expectativa. O presidente da República tem um nível maior de aparição na mídia, o que, de certa forma, controla a agenda pública. Então, todos os atos e movimentos dele são registrados”.

Ainda para o especialista esperava-se que os números de Bolsonaro nas pesquisas fossem maiores, principalmente pelo poder que o presidente tem de controlar a política econômica do país.

Já o cientista político André César explica que a economia é tema decisivo nesta eleição.

“Essa questão econômica é o tema principal dessa campanha. Ao contrário de 2018, com o combate à corrupção, o antipetismo. Este ano voltou o velho tema da economia: desemprego, fome, inflação. São essas questões que preocupam o eleitor médio hoje. Então, se há um ganho de bem-estar material por uma parte importante do eleitorado, os estratos mais baixos da pirâmide social, é inevitável que Bolsonaro cresça, mas o que frustrou é que ele não cresceu tanto quanto esperavam. Com as reduções de combustíveis também, os auxílios, tudo isso”, disse o cientista.

César aponta que, apesar de ser uma disputa polarizada, o resultado será decidido nos detalhes. “De um lado, o Nordeste e o Norte são quase cidadelas do Lula. O Centro-Oeste e o Sul, por outro lado, tendem ao bolsonarismo. E o Centro-Oeste tem o agronegócio, o DF. Então, o que sobra? Sobra o Sudeste, que é justamente onde há muitos votos.”

Veja a diferença entre os dois levantamentos em cada estado:

São Paulo

18/8: Lula 44% x 31% Bolsonaro (13 pontos)

15/9: Lula 43% x 33% Bolsonaro (10 pontos)

Minas Gerais

18/8: Lula 47% x 32% Bolsonaro (15 pontos)

15/9: Lula 43% x 33% Bolsonaro (10 pontos)

Rio de Janeiro

18/8: Lula 41% x 35% Bolsonaro (6 pontos)

15/9: Lula 44% x 36% Bolsonaro (8 pontos)