Distribuição de ajuda caótica após passagem de ciclone no sul da África

Por Adrien BARBIER y Joaquim NHAMIRRE
1 / 2
Homem cava covas para vítimas de Idai em Chimanimani

A distribuição de alimentos a milhares de sobreviventes do ciclone Idai no sul da África começou de forma caótica, provocando cenas de raiva e frustração, enquanto as equipes de resgate socorriam os sobreviventes presos em telhados ou campos alagados.

O ciclone Idai, que devastou na semana passada Moçambique e depois o Zimbábue, deixou cerca de 400 mortos e afetou centenas de milhares de pessoas, que perderam suas casas, plantações e bens.

O Programa Mundial de Alimentos (PMA), que planeja auxiliar cerca de 600 mil pessoas na região, começou a distribuir alimentos, principalmente biscoitos enriquecidos com vitaminas.

Mas a entrega de ajuda aos sobreviventes famintos é feita de forma caótica.

Em Dondo, no centro de Moçambique, centenas de pessoas correram na quinta-feira para receber uma ração em uma escola transformada em campo de deslocados, constatou a AFP.

"Eu tenho quatro filhos e eles só me dão pão? Preciso de um saco de comida", reclamou um homem.

"Eles não distribuem para todos, apenas para aqueles que estão dentro. Aqueles que estão do lado de fora não recebem nada", lamentou Marta Antonio, que carregava seu filho pequeno.

Os voluntários reconhecem a dificuldade da tarefa.

"A magnitude da situação vai muito além do que um país ou governo pode fazer", explicou Gerry Bourke, porta-voz do PMA.

- Avaliar os danos -

Nesta sexta-feira, as autoridades moçambicanas ainda avaliavam os danos uma semana após a passagem de Idai.

A partir desta sexta, os socorristas usarão drones para inspecionar as áreas inundadas.

"Vamos ter uma ideia melhor das áreas afetadas", explicou o ministro do Meio Ambiente de Moçambique, Celso Correia.

Enquanto isso, no céu, os helicópteros continuavam sua busca por sobreviventes, bloqueados no meio das inundações.

Escolas, hotéis e igrejas foram requisitadas para serem transformadas em abrigos em Moçambique e no Zimbábue.

Na cidade de Beira, de meio milhão de habitantes, o hospital principal, cujo telhado foi parcialmente danificado, só funciona a 40% de sua capacidade.

Mas nas ruas, a normalidade retornava progressivamente, e na sexta-feira filas de formavam diante dos bancos que reabriam as portas.

Os veículos já podiam circular por algumas ruas. A rede telefônica, interrompida por vários dias, voltou a funcionar, embora intermitentemente.

As operações de reconstrução também começavam lentamente. Alguns habitantes buscavam entre os escombros de um supermercado chapas de metal para construir casas precárias.

E os técnicos trabalhavam para restaurar as linhas telefônicas e a eletricidade.

Quanto à saúde, a preocupação cresce. Houve casos de diarreia, de acordo com o prefeito de Beira, enquanto voluntários e socorristas alertaram para o risco de cólera ou febre tifóide.

Dada a magnitude dos danos, uma conferência de doadores está agendada para 11 de abril em Beira.

No Zimbábue foi decretado luto nacional de dois dias, e os sobreviventes continuam buscando entre os escombros o que pode ser salvo.

Um telefone foi instalado em Chimanimani (leste), epicentro da destruição no país. As famílias fazem fila para poder telefonar para suas famílias, enquanto os sobreviventes enterram seus mortos.

Cerca de 200 pessoas, incluindo 30 estudantes, seguem desaparecidas no Zimbábue.

strs-bed/me/pb/mr