Distribuição de filmes não voltará ao normal após coronavírus, diz produtor

Claudio Yuge

Com o fechamento de salas de cinema e a interrupção de diversas produções devido à pandemia global e os protocolos de prevenção ao novo coronavírus (SARS-CoV-2), a distribuição de vários filmes que estrearam recentemente e que chegariam ao circuito mundial nas próximas semanas e meses vem se adaptando ao cenário em que vivemos. Muitas atrações estão chegando mais cedo do que o planejado às plataformas de streaming e de vídeo por demanda, assim como às operadoras de TV a cabo. Há até a possibilidade de títulos chegarem diretamente aos lares, especialmente nesse momento de distanciamento social.

Isso tudo leva à pergunta: como ficará o cenário do entretenimento após superamos a crise? Bem, segundo uma análise do produtor Jason Blum, da Blumhouse Productions (responsável pelo ótimo novo O Homem Invisível), as novas diretrizes emergenciais impostas pelos estúdios se tornarão um caminho sem volta no período posterior ao controle da COVID-19.

Jason Blum (Imagem: Reprodução/Spinoff)

"Acho que não é realista pensar que todos os estúdios vão esperar quatro meses antes de colocar um filme em casa. Eles simplesmente não podem competir [com as novas empresas de streaming], terão de competir com a Amazon, a Netflix e a Apple de uma maneira diferente. Haverá turnos. O consumidor estará mais acostumado a ficar em casa. Vão ter de ceder algo, e decisões terão de acontecer após o coronavírus, o ramo de filmes ficará diferente”, projeta Blum.

Estúdios devem mudar a distribuição digital

Embora as companhias que produzem os filmes tenham que mudar seu modelo de negócios, Blum acredita que os cinemas continuarão sendo prestigiados, só que com menos lançamentos nas salas de exibição. A experiência coletiva de assistir a um filme pela primeira vez, junto de uma plateia antes desse conteúdo chegar aos lares, deve diminuir daqui para frente, à medida que mais estúdios podem optar por distribuição direta ou digital.

Imagem: Divulgação/Blumhouse Productions

Blum projeta que a quantidade geral de lançamentos no cinema diminuirá em toda a temporada, enquanto a seleção para janelas específicas no ano passará a ter uma concentração muito maior justamente para que aos estúdios possam aproveitar os “períodos de pico”, entre as grandes atrações programadas para chegar ao público em suas casas. “Teremos muitos outros filmes nos cinemas, mas eles durarão apenas uma semana ou duas [em cartaz]", diz.

Longas como Dois Irmãos: Uma Jornada Fantástica, Bloodshot, Aves de Rapina: Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa, O Homem Invisível e The Hunt já adiantaram a chegada às plataformas digitais após o fechamento das salas de cinema — assim, a audiência pode conferir essas atrações durante o período de isolamento.

E você, o que acha? Acredita que o calendário de lançamentos em cinemas e streaming será o mesmo depois que as pessoas se acostumarem e curtir as novas produções em casa? Diz para a gente nos comentários.

Fonte: Canaltech

Trending no Canaltech: