Distribuição de vacinas cria tensão entre Reino Unido e Europa

Guy Faulconbridge e Paul Sandle
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Frascos rotulados como de vacina contra Covid-19 em frente ao logo da AstraZeneca em foto de ilustração

Por Guy Faulconbridge e Paul Sandle

LONDRES (Reuters) - A luta da Europa para garantir suprimentos de vacinas contra Covid-19 se acentuou nesta quinta-feira, quando o Reino Unido exigiu receber todas as vacinas pelas quais pagou depois que a União Europeia pediu à AstraZeneca que redirecione suprimentos destinados aos britânicos.

A UE, cujos países-membros estão muito atrás de Israel, Reino Unido e Estados Unidos na distribuição de vacinas, está correndo para obter suprimentos no momento em que as maiores farmacêuticas ocidentais desaceleram as entregas ao bloco devido a problemas de produção.

Enquanto centros de vacinação de partes da Alemanha e da França cancelaram ou adiaram agendamentos, a UE repreendeu publicamente a farmacêutica anglo-sueca AstraZeneca por não enviar as remessas, embora a vacina ainda nem tenha sido aprovada pelo bloco.

Isto provocou uma reação ríspida do presidente-executivo da AstraZeneca, Pascal Soriot, que disse que a UE demorou para firmar um acordo de suprimento e que por isso a empresa não teve tempo suficiente para solucionar os problemas de produção em uma fábrica de vacina a cargo de um parceiro da Bélgica.

O Reino Unido, que se vangloriou diversas vezes de sua liderança na distribuição de vacinas desde que saiu da órbita da UE no dia 1º de janeiro, disse que as remessas precisam ser feitas.

"Acho que precisamos fazer com que o suprimento de vacina que foi comprado e pago, obtido pelo Reino Unido, seja entregue", disse o ministro do gabinete, Michael Gove, à LBC Radio.

Indagado reiteradamente se o governo britânico impedirá a AstraZeneca de direcionar suprimentos essenciais de vacina para a UE, Gove respondeu que o principal é que o Reino Unido receba suas encomendas como planejado e no prazo.

A iniciativa de vacinação em massa mais veloz da história está provocando tensões em todo o mundo, já que grandes potências estão comprando vacinas a granel e nações mais pobres tentam percorrer um campo minado financeiro e diplomático para adquirir quaisquer suprimentos restantes.

A UE foi incapaz de avançar nas discussões da crise com a AstraZeneca na quarta-feira, e exigiu que a empresa esclareça como abastecerá o bloco com doses reservadas de vacinas contra Covid-19 de fábricas europeias e britânicas.

As tensões se elevaram diante do pano de fundo dos problemas de suprimento da outra principal fornecedora ocidental de vacinas, a Pfizer, que anunciou empecilhos para as entregas.