Ditadura da Belarus bloqueia site independente e detém editora-chefe

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BRUXELAS, BÉLGICA (FOLHAPRESS) - Apesar da pressão crescente dos Estados Unidos e da Europa sobre a Belarus --incluindo quatro rodadas de sanções econômicas--, a ditadura derrubou hoje mais um veículo independente de mídia, a BelaPan, e deteve alguns de seus membros.

A editora-chefe da agência noticiosa, Irina Levshina, e o ex-diretor Dmitri Novozhilov foram interrogados e encarcerados em Akrestina, prisão em Minsk que foi palco de tortura e espancamento após a eleição presidencial de agosto de 2020.

Levshina e Novoshilov ficarão na cadeia inicialmente por 72 horas, prazo pelo qual a legislação belarussa permite detenções sem acusação.

Desde a manhã desta quarta (18), saíram do ar os sites da BelaPan em inglês e em russo. Considerada independente --e não de oposição--, a agência já havia sido alvo de revistas em janeiro deste ano.

O regime também prendeu uma contadora da empresa, e familiares de outros jornalistas do veículo relataram revistas em suas casas e detenções.

Segundo o editor-chefe-adjunto, Alyaksandr Zaitsev, o site está sendo investigado criminalmente por "organização de ações que violam gravemente a ordem pública".

Zaitsev não foi detido, mas teve que assinar um compromisso de se apresentar na delegacia. Sua casa foi revistada por sete agentes durante cerca de uma hora e celular, computador e tablet foram confiscados.

As investidas do ditador Aleksandr Lukachenko contra jornalistas e veículos de imprensa começaram logo após a eleição presidencial.

Repórteres locais e correspondentes internacionais foram espancados por suas tropas de choque quando cobriam protestos contra os resultados da votação, embora estivessem identificados e credenciados.

Ao menos 62 casos de violência física contra jornalistas foram registrados pela Associação de Jornalistas da Belarus, que também está sob perseguição da ditadura.

Logo nas primeiras semanas o regime belarusso fechou mais de 70 sites informativos e estrangulou jornais locais independentes, impedindo sua impressão e circulação.

Durante o ano passado, 480 jornalistas foram detidos e houve 97 casos de prisões administrativas. No total, profissionais da mídia ficaram mais de 1.200 dias atrás das grades.

Em fevereiro, duas repórteres foram condenadas a dois anos de prisão por terem filmado protestos contra Lukachenko. Em março, uma jornalista do principal veículo independente da Belarus, Tut.by, também levou dois anos por reportagem que desmentia versão policial sobre a morte de um manifestante.

O site foi declarado extremista pelo regime em maio e bloqueado, embora suas reportagens sempre incluam as versões oficiais e pontos de vista do regime.

Jornalistas do Tut.by são 12 dos 33 profissionais de mídia presos no momento no país, de acordo com a Associação de Jornalistas da Belarus, que também está sob perseguição de Lukachenko.

A onda mais recente de repressão a empresas de informação começou no mês passado, com mais de 70 buscas em Redações e na casa dos jornalistas de veículos nacionais e regionais.

O site Nasha Niva, um dos mais antigos do país, também foi bloqueado.

Apesar das perseguições, jornalistas do Tut.by passaram a editar um novo site, Zerkalo, e lançaram o projeto "God Posle" ("um ano depois", em russo), sobre a repressão contínua desde agosto de 2020.

Nesta quarta, a página publicou fotos de 582 dos 630 presos políticos identificados até o momento na Belarus e os nomes dos outros 48 cujas imagens não foram encontradas.

"Simplesmente não há jornalistas suficientes em todo o nosso país para acompanhar cada uma dessas pessoas. Mas também é impossível ficar em silêncio. Por isso, publicamos os retratos dos presos políticos, em um documento incrivelmente triste da época. (...) É bem possível que, no dia da publicação desse material, haja mais presos políticos na Belarus", diz o texto do Zerkalo, que também já foi decretado extremista.

O Ministério da Justiça abriu um processo para liquidar a Associação de Jornalistas da Bielorrússia. A primeira sessão aconteceu na última quarta (11).

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