Diversidade e inclusão marcam edição 2023 do calendário Pirelli, lançando nesta terça-feira, em Milão

Pela primeira vez na história do calendário Pirelli, folhinha criada em 1964 pela marca de pneus para despertar desejo em sua clientela (majoritariamente masculina) associando mulheres a automóveis deslumbrantes - a diversidade falou mais alto que a sensualidade.

Apresentada na manhã desta terça-feira no Pirelli Hangar Bicocca, em Milão, a edição 2023 do “The Call” foi assinada pela fotógrafa australiana Emma Summerton, uma entusiasta da bel da feminina em suas mais variadas formas.

Sob o nome de “Love letters to the muse" (Cartas de amor às musas) a folhinha reuniu estrelas como a top Guinevere Van Seenus, as plussizes Ashely Graham e Precious Lee, e modelo americana Lauren Wasser, que amputou as duas pernas por uma doença rara, ligada a complicações decorrentes do uso de absorventes íntimos.

“Meu ponto de partida foram as mulheres”, disse Emma. “Criei uma profissão e um personagem para cada uma delas, dentro do que mais admiro nessas musas: tem a ativista, a fotógrafa, a vidente, a atleta… foi a realização de um sonho”, completou a fotógrafa, quinta mulher a clicar uma edição do calendário.

“Houve um momento em que eu achei que fosse morrer por causa de um tampão. Primeiro pedi uma perna, depois a outra. Hoje, as próteses são parte de mim, mas não foi sempre assim. Estar aqui é muito mais do que um sonho é vida que eu conquistei”, disse Guinevere, a primeira modelo contactada por Emma.

Criado em 1964 como uma forma de agradar a clientela masculina (e super vip) da Pirelli, o “The call” costumava retratar curvas femininas como as de automóveis de luxo, numa objetificação típica da época. Após dez anos de produção, a publicação foi interrompida por uma década e retornou em 1983. Nos anos 1990 e 2000 as supermodels (leia:se Kate Moss, Naomi Campbell, Christy Turlington e Gisele) emprestaram toda sua sensualidade à marca de pneus, cujos retratos eram majoritariamente feitos por homens como Richard Avedon, Mário Testino e Patrick Demarchelier).

Desde a idealização do projeto, em 1964 até hoje já lançadas 49 edições. produzidas por 41 fotógrafos diferentes.

Tanto para a produção dos calendários, quanto para as campanhas publicitárias, a Pirelli contratou muitos artistas influentes e fotógrafos experientes. Durante 1994 e 1995, a fotógrafa Annie Leibovitz produziu o que viria a ser o mais icônico de todos os anúncios da marca, com imagens do então corredor olímpico Carl Lewis usando sapatos de salto vermelhos.

Ao longo das décadas o calendário da Pirelli alterou sua estética e ideologia, deixando de lado a nudez sexualizada das mulheres e apresentando discursos cada vez mais engajados e modernos.

As edições mais recentes do “The Cal” trouxeram ao longos dos 12 meses mulheres ativistas, embaixadoras da ONU, atletas, humoristas e demais personagens inspiradoras.