Djamila Ribeiro, sobre homem morto no Carrefour: 'Violência contra toda a população negra brasileira'

O Globo
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RIO — Artistas e intelectuais manifestaram choque com a morte de João Alberto Silveira Freitas, homem negro de 40 anos espancado numa unidade do supermercado Carrefour em Porto Alegre, na véspera do dia da Consciência Negra. Vídeos que circulam em redes sociais mostram a vítima sendo agarrada pelas costas por um segurança e agredida por outro com diversos socos na cabeça. Os agressores são brancos.

A filósofa Djamila Ribeiro afirmou que o caso é uma amostra de violência contra “toda a população negra brasileira”:

— A violência que ceifou a vida de João Alberto Silveira Freitas foi uma violência contra toda população negra brasileira, que segue com sua existência ameaçada, sobretudo agora em um momento de projeto político que reforça esse lugar de repressão e precarização de vidas. Não é a primeira vez que fatos como esse acontece nos estabelecimentos dessa empresa e é necessário que haja respostas.

Em agosto deste ano, o Carrefour foi alvo de críticas após esconder o corpo de um funcionário que infartou dentro de um estabelecimento de Recife com guardas-sóis e caixas de modo a manter a loja aberta. À época, a matriz da rede na França disse que os problemas no Brasil eram "casos isolados". Em 2019, um idoso foi confundido com um morador de rua e expulso de uma unidade de Anápolis, em Goias. Um ano antes, um cachorro foi espancado até a morte por seguranças de uma unidade de Osasco, em São Paulo.

A morte de João Alberto também foi lamentada pelo cantor Nego do Borel, que disse que o homem foi "mais uma vítima de racismo no Brasil":

— João Alberto Silveira Freitas, homem preto como eu, espancado até a morte. Mais uma vítima de racismo no Brasil. Precisamos parar de ver casos como esses como mais um. A discriminação contra negros e negras é, sim, uma realidade bem cruel no país e precisa ser combatida. Vejo meus irmãos de cor finalmente reagindo, mas ainda é pouco.

A cantora Elza Soares foi uma das que manifestaram no Twitter sua indignação pelo assassinato de João Alberto. “Chega, gente, CHEGA #VidasNegrasImportam”, escreveu a artista de 90 anos. A cantora Teresa Cristina também usou a rede social para questionar: “Quantos mais terão que morrer, Carrefour?”. Em seu Instagram, a sambista escreveu:

“Como acordar num país e falar do dia da Consciência Negra sabendo que mais um negro foi espancado até a morte em um supermercado? Assassinos!!!".

O cantor Chico César também compartilhou sua revolta no Instagram, republicando uma notícia sobre o crime e acrescentando à legenda: “Celebrar o quê mesmo? Fogo nos fascistas!”. Já o youtuber Felipe Neto publicou uma mensagem no Twitter sobre o fato: “O que mais me dá ódio é a sensação de não ter o que fazer. Boicotar o Carrefour só vai tirar empregos, prejudicar trabalhadores inocentes. Os chefões continuarão andando de iate e jato particular. Que ódio do cacete”.

Em seu Instagram, o escritor Jeferson Tenório, carioca radicado em Porto Alegre desde os 13 anos de idade, disse que a cidade "sempre foi um lugar hostil e violento para quem é negro". "As vidas negras importam para quem? A gramática antirracista está na boca das pessoas brancas: 'racismo estrutural', 'lugar de fala', 'privilégio branco', no entanto, mais do que palavras é necessário agir. Quantas famílias negras ainda terão de chorar seus mortos?", escreveu.

A youtuber e humorista Maíra Azevedo, a tia Má, também tuitou sobre o fato: “A crueldade de começar o 20 de novembro sabendo que um homem negro foi assassinado dentro de um supermercado. Aquilo que chamam de mimimi é de fato nosso choro sobre nossos corpos! Nos matam e depois ainda desqualificam nossas dores! Tratam nossas mortes como equívoco ou má conduta, mas é r4c1smo mesmo!”.