Do culto online aos ovos de empreendedores: como o coronavírus mudou a Páscoa

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Parte dos consumidores optou por comprar ovos caseiros para apoiar o pequeno comerciante (Foto: Getty Commercial)

Luiz Nascimento é católico e bastante religioso. Nunca passou um domingo de Páscoa longe da casa da avó. Mas em 2020 terá de ser assim, por causa do isolamento social. A história dele é igual a de vários brasileiros que não vão cumprir suas tradições religiosas em nome da quarentena e da saúde pública.

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Neste período, centros religiosos estão preocupados em não incentivar aglomerações de pessoas. É o que conta o reverendo Alexandre Porfirio, da Igreja Presbiteriana da Vila Guilherme, na Zona Norte de São Paulo. “Normalmente, fazemos um evento bem especial, com música e mensagem voltadas para a ressurreição de Jesus. É a data mais importante do cristianismo”, afirma.

“Todo ano criamos uma grande expectativa para essa época, mas, devido ao coronavírus, nós vamos fazer o culto online”, conta. O reverendo faz parte da igreja protestante histórica e, pelo que percebeu, outras igrejas da mesma linha também usarão a internet para estar mais próximos aos fiéis. “As pessoas sentem falta, mas acabam se adaptando.”

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O reverendo ressalta a importância de que líderes religiosos se posicionem a favor da vida. Que entendam que a saúde está acima de práticas e rituais religiosos. “No cristianismo o fundamento é a vida, é o que Jesus ensina. A vida é mais importante que tudo, então, optamos por preserva-la.”

Luiz também vai usar a tecnologia para comemorar a data, mas de outra forma. “Minha Páscoa será de missa pela TV. E a sexta-feira santa, em que sempre comemos peixe, farei em casa.” A receita do peixe é da avó, que é quem costuma cozinhar no feriado.

Uma pesquisa mostra que a maior parte dos brasileiros, 63%, vai mudar a forma de comemorar a Páscoa. Como Luiz, 84% das pessoas vão comemorar a Páscoa na companhia de quem mora no mesmo local. Os dados são da Toluna, que estuda o comportamento dos consumidores. Foram entrevistadas 1.012 pessoas entre 30 de março e 3 de abril.

Na onda de ajudar o pequeno comerciante, 67% das pessoas afirmaram que pretendem comprar ovos de Páscoa de comércio menores ou autônomos. É o caso de Luiz, que escolheu o ovo de uma padaria perto do prédio onde vive.

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OUTRAS RELIGIÕES

Nessa quarta-feira começa Pessach, a Páscoa judaica. A comemoração lembra a saída dos judeus do Egito onde eram escravos. É tradição que, nessa época do ano, as famílias façam o seder, ou seja: se juntam para rezarem, contarem a história e, então, jantarem. Além disso, é comum não comer nada com fermento.

Na sinagoga Beth El, em São Paulo, o seder comunitário reúne cerca de 150 pessoas anualmente. Mas teve de ser cancelado devido à crise do coronavírus. O rabino da sinagoga, Uri Lam, relata que, para estar junto às famílias, prepararam uma hagadá, o livro de rezas da festa, e fizeram mais de 20 vídeos com as principais orações e músicas de Pessach.

“Estamos trabalhando muito, tanto no sentido comunitário quanto em casa, é um grande desgaste emocionou. Ao mesmo tempo, é muito gratificante, nunca me senti tão realizado como rabino”, afirma. “Sinto que meu trabalho é inspirar as pessoas que tem saída, tem perspectiva. E que temos que sair diferentes dessa historia.”

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