Doc Pacto Brutal, disponível no streaming, mostra que Guilherme de Pádua consolou Gloria Perez após matar Daniela Perez

Mais do que contar a história por trás da trágica morte de Daniella Perez, aos 22 anos, em 1992, a série "Pacto brutal: O assassinato de Daniella Perez" retrata também a determinação da autora Gloria Perez em esclarecer o caso. A mãe da atriz e bailarina fez uma investigação própria, encontrou testemunhas e sempre que pôde contestou informações equivocadas divulgadas por parte da imprensa sensacionalista e pelos assassinos. Gloria também se mobilizou para colher assinaturas para modificar a lei de crimes hediondos, que até então não contemplava o homicídio qualificado.

O doc mostra que Guilherme de Pádua, um dos assassinos da atriz, que morreu de infarto na noite deste domingo, 6 de novembro, chegou a consolar Gloria após a tragédia. Ele também abraçou Raul Gazola, que na época era marido de Daniela, como se não tivesse envolvimento com o crime.

A autora deu mais de 20 horas de depoimentos para a produção ao longo de três dias. Suas falas são parte fundamental dos cinco episódios da série documental da HBO Max, e provavelmente alguns dos momentos mais emocionantes da produção.

Em mais de um momento, Gloria relembra que vivia um momento de plenitude até a perda da filha. Após realizar o sonho de ser escritora, trabalhar ao lado de Janete Clair e, finalmente, começar a escrever suas próprias novelas, a autora estava muito feliz. Agora, diz que vive a "felicidade possível", mas sem a possibilidade de plenitude.

"Não tem como virar a página para a existência de um filho", destaca Gloria na cena final da série. "Várias pessoas que poderiam estar aqui do meu lado, não existirão nunca. São os netos que eu não tive. Quando se mata uma pessoa, é muito para além dela. Você mata tudo o que aquela pessoa poderia ter feito em vida. Nunca mais vai ser a mesma coisa. Hoje, eu sei que a plenitude acabou."

Ao lado da então esposa, Paulo Thomaz, o então ator fez uma emboscada para a colega, de 22 anos na época, e a assassinou a facadas. Guilherme e Paula foram condenados a 19 anos e 6 meses de prisão. Mas ele foi solto após seis anos, depois de ter cumprido um terço da pena.