Doceira, fã de Daciolo e influenciador de direita: saiba quem são os bolsonaristas alvos da PF

Os alvos da operação da Polícia Federal deflagrada em Campos, interior do Rio de Janeiro, nesta segunda-feria, têm perfis bem diferentes entre si. O grupo, investigado por financiar atos antidemocráticos após o 2° turno das eleições, é formado por uma doceria, um bombeiro e um ex-candidato a vereador assessor parlamentar do deputado estadual Filippe Poubel (PL-RJ). Dois deles já estão presos e o terceiro alvo continua foragido.

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A doceira Elizângela Cunha Pimentel Braga, de 48 anos, se entregou à Polícia Federal na noite desta segunda-feira. Ela é dona de um buffet em Itaperuna, interior do Rio de Janeiro, e após os atos, apagou suas redes sociais no Facebook e Instagram. Ainda é possível acessar seu perfil no TikTok, onde ela divulga vídeos em apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Há ainda uma foto da bolsonarista em um manifestação de apoio ao ex-presidente em Brasília em 2022.

Elizângela esteve em Brasília também no dia 8 de janeiro e divulgou fotos na internet imagens nas imediações do prédio do Congresso. A viagem de aproximadamente 1.100 km ela fez de ônibus, em uma caravana.

A doceira passou também no acampamento montado na frente do Quartel General do Exército, em Brasília, e fez questão de fazer uma selfie para registrar a visita. De acordo com o G1, Elizângela recebeu doações e repassou para moradores de Campos que estavam acampados em Brasília.

Todos do grupo são investigados por associação criminosa, abolição violenta do Estado Democrático de Direito e incitação das Forças Armadas contra os poderes institucionais. De acordo com a PF, a investigação busca identificar as lideranças locais que bloquearam as rodovias que passam pelo município e organizaram as manifestações em frente aos quartéis do Exército situados na cidade. Na ação de segunda-feira também foram apreendidos celulares, computadores e documentos diversos. Os mandados de prisão estão sob sigilo e a Polícia Federal.

Bombeiro preso

Quem também foi preso nesta segunda-feira foi o subtenente Roberto Henrique de Souza Júnior, que atua em Guarus, no Norte Fluminense. O militar bombeiro de 52 anos foi candidato a deputado federal nas eleições de 2018. À época, ele era filiado ao Patriota, partido ligado à base do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), sob a alcunha de "Júnior Bombeiro". Com apenas 1.260 votos, acabou não se elegendo.

Em agosto do ano passado, ele foi condenado pela Justiça Eleitoral por mau uso do fundo partidário. De acordo com o Tribunal Regional Eleitoral do Rio, o então candidato não prestou suas contas de campanha, motivo pelo qual foi obrigado a devolver R$ 4 mil.

Em 2011, o subtenente chegou a ser preso por participar de uma manifestação liderada por Cabo Daciolo. Na ocasião, o então 1° sargento e seus 429 colegas quebraram 12 viaturas e os portões do Quartel Central do Corpo de Bombeiros Militares do Estado do Rio de Janeiro (CBMERJ) enquanto pediam melhores salários. Júnior tem 33 anos de corporação.

Assessor parlamentar foragido

Apontado como um dos financiadores dos ônibus que levaram golpistas até Brasília para os atos terroristas que culminaram na depredação da sede dos Três Poderes no último dia 8, o assessor parlamentar Campos Carlos Victor Carvalho, de 34 anos, continua foragido. Nomeado no gabinete do deputado estadual Felippe Poubel (PL-RJ) , ele é ainda fundador da Associação Direita Campos.

Administrador de perfis de apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) nas redes sociais, Carlos foi candidato a vereador nas eleições de 2020, quando concorreu pelo Republicanos. Com 2.292 votos, não foi eleito.