Documentário com Nélida Piñon, Isabella Taviani e outros ex-alunos quer eternizar Colégio Santo Amaro

Imortal. Essa é a palavra que o Projeto Santo Amaro, formado por ex-alunos e professores, querem atribuir ao Colégio Santo Amaro, que por quase cem anos ocupou a Rua Dezenove de Fevereiro, em Botafogo. Assim como a ex-aluna ilustre da instituição, Nélida Piñon tornou-se, sendo a primeira mulher a presidir a Academia Brasileira de Letras. O colégio, cujo centenário celebraria em 2023, não resistiu a mais uma crise, dessa vez causada pela pandemia e encerrou as atividades em dezembro do ano passado, apesar da mobilização de pais e alunos, que chegaram a criar uma petição com mais de cinco mil assinaturas para evitar o fechamento da unidade de ensino. O projeto nasceu com o objetivo de produzir um documentário em tributo ao colégio, que incluirá histórias e curiosidades da cidade e que promete atrair o público em geral e não só os agora “órfãos” da instituição.

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O longa contará com entrevistas de personalidades como Nélida, que foi aluna entre as décadas de 1940 e 1950 e recebeu muitas homenagens do colégio, que tinha a sua biblioteca com o nome da escritora. Nélida também retribuiu o carinho ao citar várias vezes a instituição em suas obras, como no seu livro de memórias “Coração Andarilho”. Nele, a escritora relata que muito de sua fé se originou no Santo Amaro e narra acontecimentos curiosos dentro e fora dos portões da unidade, muitos envolvendo as freiras, que até hoje vivem nas dependências do local. O prédio onde funcionava o colégio foi comprado pela Universidade Veiga de Almeida (UVA), mas mantém boa parte dos espaços preservados, como a igreja e o local onde moram as religiosas, uma casa de boneca, além de uma antiga mangueira no meio do pátio, que é um dos maiores símbolos da instituição.

O documentário que por enquanto se chama “Amaro” já começou a ser filmado, graças a recursos conseguidos por meio de uma vaquinha on-line que atingiu a meta de R$ 15 mil. Serão mais de 40 entrevistados, entre eles, outra ex-aluna ilustre, a cantora e compositora Isabella Taviani, que estudou na escola entre 1970 e 1980. Durante a filmagem, a artista lembrou de quando fazia roda de violão com os amigos no pátio do Santo Amaro, de quando tocou o instrumento em sua formatura e das vezes que tocava guitarra nas missas.

— Lembro da criança que eu era aqui, da adolescente que eu era aqui. Sempre sonhava com a música e hoje, vendo o caminho que eu percorri, acho que os sonhos que eu tinha quando estava aqui, naquela época, se tornaram reais. E acho que tudo veio daqui, dessa escola — analisa Isabela.

Ex-aluno do colégio e um dos coordenadores do Projeto Santo Amaro, o estudante de música na Unirio, Luiz Salgueiro afirma que o documentário mostrará o desenvolvimento educacional dos últimos cem anos, as transformações e intervenções urbanas e sociais, incluindo a pandemia.

— O documentário vai trazer esse panorama a partir do caso do Santo Amaro, que fechou junto com muitas outras escolas tradicionais, que já vinham perdendo espaço para os colégios cursos. A ideia não é achar um culpado para decadência desse modelo tradicional de ensino, mas preservar a memória histórica e afetiva da escola e da cidade. Vai interessar a todos, sobretudo, as curiosidades. Entre elas os passeios que alunos da instituição faziam, como um para conhecer o Cristo Redentor assim que a estátua foi inaugurada — afirma Salgueiro, que é o responsável pela trilha sonora do documentário.

Também ex-aluno e coordenador do projeto, o estudante de Cinema na UFF e diretor do documentário, Mateus Rameh explica que cada integrante tem uma função no longa de acordo com sua área de conhecimento.

— Isso fez com que os custos diminuíssem e a meta da vaquinha fosse suficiente para tirar o projeto do papel, mas toda ajuda para tornar o documentário ainda melhor, será muito bem-vinda.

A ideia é lançar o filme no prédio onde agora funciona a UVA, no dia 1º de março do ano que vem, centenário do início das aulas no colégio e aniversário do Rio.

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