Documentário registra combates aos incêndios e resgates de animais durante 'tragédia de 2020' no Pantanal

Ao ver as imagens do fogo e da destruição do Pantanal, em julho de 2020, o documentarista Michel Coeli decidiu viajar para o bioma para registrar, in loco, o desastre. Naquele ano, entre idas e vindas, passou seis meses no Pantanal, onde conviveu especialmente com os bombeiros e equipes de ONGs nos trabalhos de combate a incêndios e de resgates de animais. O resultado do material é o documentário Sinfonia da Sobrevivência, cuja previsão de estreia é em outubro.

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Com proposta imersiva, o filme pretende colocar o espectador dentro do Pantanal, para acompanhar as diferentes fases daquela tragédia, que consumiu 2,3 milhões de hectares

-- Primeiro era o fogo consumindo o bioma. Depois, a chamada fome cinzenta, que é a falta de água e comida para os animais. A operação se concentrou muito nesses resgates, o que demandava uma logística complexa, com muito caminhão pipa -- explica Coeli, que, sozinho com sua câmera, conseguiu se infiltrar em várias das operações. -- O objetivo é denunciar a situação devastadora que aconteceu.

O filme, diz o diretor, também registra a demora das ações das autoridades. No vazio de presença do estado, as ONGs, inclusive na arrecadação de recursos, tiveram atuação destacada. Segundo ele, na época os Bombeiros do Mato Grosso não contavam com uma aeronave própria, e dependiam de um helicóptero que era divido com a Polícia Militar. Já o Ibama "chegou muito tarde" e ele lembra de um episódio marcante, em que o presidente Jair Bolsonaro fez uma visita a Sinop (MT), onde cumpriu uma agenda do agronegócio, mas não visitou o Pantanal.

-- Você via o desinteresse total, houve atraso imenso no início das operações, e aí o sofrimento aumentava. O avião do Bolsonaro, na volta de Sinop, teve que remeter por causa da fumaça, e mesmo assim ele não foi capaz de visitar o Pantanal.

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Moradores e trabalhadores do turismo do Pantanal também ajudaram bastante nos combates aos incêndios, lembra Coeli. Na sua opinião, o incentivo ao ecoturismo é uma forma de promover a conservação do bioma.

-- O Pantanal como a gente conhece não existe mais, por causa de toda seca e da diminuição das áreas alagadas. É um reflexo direto do que vem acontecendo na Amazônia. Documentei áreas alagadiças que estavam totalmente secas e, ano passado, na época de cheia, continuavam iguais. Se nada for feito, a situação só vai piorar -- diz o documentarista -- O ser humano acha que está destruindo a natureza, mas na verdade está se destruindo. A natureza não tem pressa para se reconstruir, já a gente não sobrevive sem ela.

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