Documentário sobre ciberataques resume a história de uma guerra silenciosa

PATRÍCIA PAMPLONA
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FLORIANÓPOLIS, SC (FOLHAPRESS) - ​"O volume de ataques está aumentando. A sofisticação está aumentando. E o debate sobre como lidar com isso está ficando mais confuso." A frase de David Sanger, repórter do jornal americano The New York Times, resume o recrudescimento na última década de uma guerra silenciosa: os ataques cibernéticos. O assunto é foco do documentário "A Arma Perfeita", dirigido pelo vencedor do Emmy John Maggio e que está disponível na plataforma HBO Go. O longa se propõe a explorar a atuação de hackers no período que antecede as eleições americanas deste ano, mas durante seus 85 minutos acaba mais por levantar um histórico dos grandes ataques criados e sofridos pelos EUA, envolvendo seus principais inimigos: Irã, Coreia do Norte, Rússia e China. Esses atentados são contados por repórteres especialistas nesse tipo de cobertura, como Sanger, professores ligados a universidades renomadas, a exemplo de Amy Zegart, da Universidade Stanford, integrantes e ex-integrantes do governo americano, como James Clapper, diretor de Inteligência Nacional entre 2010 e 2017, além de outros envolvidos em casos específicos, como Hillary Clinton, candidata à Presidência em 2016. E os detalhes técnicos, por vezes, podem distanciar o espectador menos ligado ao assunto. Apesar de os EUA terem sido alvo nos últimos anos, o longa começa com um ciberataque de autoria americana, a operação Stuxnet, que o filme apresenta como a primeira iniciativa cibernética de um país contra o outro. Em 2007, os EUA invadiram os computadores da instalação nuclear de Natanz, no Irã, como uma forma de retardar o programa no país. Esses ataques começaram na gestão do republicano George W. Bush, com programa batizado de Jogos Olímpicos, e seguiram após a passagem de bastão para o democrata Barack Obama, em 2009. O revide demorou, mas, em 2013, Teerã coordenou um ataque à empresa do dono de cassinos Sheldon Adelson, após o empresário americano dizer que os EUA deveriam ameaçar o país do Oriente Médio com bombas. O custo para recuperar toda a infraestrutura danificada foi de dezenas de milhares de dólares. O prejuízo também foi milionário para a Sony, na rusga entre o estúdio e a Coreia do Norte, no lançamento do filme "A Entrevista", de 2014. A comédia imagina dois jornalistas indo entrevistar o ditador do país, Kim Jong-un, com a missão também de assassiná-lo. Assim, na sua metade, o documentário chega à eleição de 2016, e passa tratar de Rússia e China como os dois grandes inimigos da democracia americana. O primeiro, como já é sabido, por sua interferência no pleito daquele ano. O país de Vladimir Putin não somente esteve envolvido no hackeamento de emails democratas que, assim como os da Sony, foram parar no Wikileaks, mas também em diferentes fake news que alimentaram uma forte campanha contra Hillary. Foram autores ainda de um ataque, junto a norte-coreanos, que mostrou a potência de uma guerra cibernética ao infectar milhares de computadores com software Windows em 155 países, em 2017. A ironia é a origem do vírus, desenvolvido pela Agência Nacional de Segurança dos EUA, e aprimorado pelos dois países. O longa termina em 2020, com as diferentes ameaças que cercaram as eleições americanas, tendo desta vez como foco a China. Nenhuma interferência, porém, foi confirmada até o momento, e o assunto parece menos importante após a sequência de sérios hackeamentos realizados em pouco mais de dez anos. O filme não deixa de citar o 5G e sua potencial ameaça de espionagem chinesa, por meio da empresa Huawei, além dos ciberataques envolvendo o coronavírus. Assim como a eleição, essas questões recebem menor tempo e atenção, mesmo que suas consequências, diferentemente da guerra, não sejam nada silenciosas. A ARMA PERFEITA Onde: HBO Go Classificação: 16 anos Direção: John Maggio País: EUA Ano: 2020