Documentários exibem imagens de um Rio que não existe mais

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RIO — O Museu Virtual Rio Memórias e a Cinemateca do Museu de Arte Moderna (MAM) se uniram para promover a Mostra Rio Desaparecido, em paralelo ao 27º Congresso Mundial de Arquitetos. Serão exibidos três documentários, um deles inédito, e haverá debates com historiadores, arquitetos e cineastas de renome sobre as transformações urbanas ocorridas na cidade. Inédito e histórico, o filme “Nossos soberanos no Brasil” acompanha a legendária visita dos reis belgas aos trópicos, em 1920. No filme, aparecem Rio de Janeiro, Petrópolis, Santos, São Paulo e Belo Horizonte, com direito a planos aéreos, além de imagens recheadas de paradas, desfiles e exercícios militares.

— A ideia é que as imagens em movimento de um passado que ainda não era ruína possam dialogar com o tempo presente, evidenciando as transformações urbanas ocorridas até aqui e como queremos caminhar para o futuro —diz a diretora e curadora do Museu Virtual Rio Memórias, Livia de Sá Baião.

O gerente da Cinemateca do MAM, Hernani Heffner, diz que o filme é de uma riqueza ímpar para o conhecimento do Brasil de um século atrás, na época atravessado por conflitos, mudanças e desafios.

— O que se espera, com a divulgação da obra, digitalizada e restaurada especialmente para a mostra em 2K, é o interesse cada vez maior de estudiosos e do público em geral em descortinar o passado de uma realidade não tão distante assim do nosso país — afirma Heffner.

De segunda a quarta, às 18h, haverá debates, com transmissão simultânea em www.youtube.com/mamrio e www.youtube.com/riomemorias. No encontro virtual para debater o documentário sobre a visita dos reis belgas, produzido pelo Service Cinématographique de l’Armée Belge (S.C.A.B.) e que faz parte do acervo da Cinemateca Belga, estarão Hernani Heffner, o historiador Frederico Coelho (PUC-RJ) e o arquiteto Luiz Fernando Janot.

Cenas da demoliçaõ do Palácio Monroe

A Mostra Rio Desaparecido vai trazer ao público outros dois filmes com imagens de um Rio que não existe mais. “Crônica da demolição”, de 2017, dirigido por Eduardo Ades, aborda a controversa demolição do Palácio Monroe, antigo prédio do Senado Federal no Rio de Janeiro. Ao investigar a decisão, decretada pelo presidente Ernesto Geisel no período militar, o documentário põe em debate os jogos de poder que determinaram os destinos da cidade. Tendo como mediadora Livia de Sá Baião, o encontro para conversar sobre o filme reunirá o arquiteto Nireu Cavalcanti e o historiador Antônio Edmilson Martins (PUC-RJ e Uerj), além de Ades.

Já “O desmonte do monte”, de 2018, de Sinai Sganzerla, trata da destruição do Morro do Castelo, que resultou no apagamento do local de fundação da cidade. As imagens abordam o desmonte e o aterramento do local. O filme é um mergulho em algumas das características específicas do processo de urbanização carioca, como o embelezamento à francesa, a expulsão dos pobres das zonas valorizadas e a corrupção das elites dirigentes.

“O desmonte do monte” mostra também como as noções de patrimônio histórico e justiça social passaram ao largo das principais preocupações dos reformadores da cidade. O mediador será José Quental (Cinemateca MAM), e o debate contará com a presença da arquiteta e historiadora Evelyn Furquim (Uni-Rio), da arquiteta Ceça Guimaraens (UFRJ) e da cineasta Sinai Sganzerla.

Os três filmes estarão disponíveis até terça na plataforma Vimeo do MAM.

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