Doença que acometia João Paulo Diniz pode ser assintomática

***ARQUIVO*** SÃO PAULO, SP, BRASIL 11.02.2020 - João Paulo Diniz (empresário) (Foto: Mathilde Missioneiro/Folhapress)
***ARQUIVO*** SÃO PAULO, SP, BRASIL 11.02.2020 - João Paulo Diniz (empresário) (Foto: Mathilde Missioneiro/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A miocardiopatia hipertófica, doença congênita que acometia o empresário João Paulo Diniz, morto no último domingo (31) aos 58 anos, tem diferentes níveis de gravidade e pode ser assintomática.

De acordo com o médico Paulo Caramori, diretor do Comitê Científico da SBC (Sociedade Brasileira de Cardiologia), estima-se que 1 a cada 500 pessoas tenha a doença, caracterizada por um espessamento anormal do músculo cardíaco.

Em alguns casos, denominados obstrutivos, esse aumento provoca um estreitamento que atrapalha a ejeção de sangue e reduz a capacidade de funcionamento do coração. Pacientes com esse quadro podem apresentar falta de ar, dor no peito, palpitações, arritmias e sofrer morte súbita.

Caramori afirma que a doença costuma se apresentar na adolescência e, como pode ser assintomática, às vezes é descoberta por acaso, em exames de rotina. "Um familiar realiza um ecocardiograma, descobre a doença e aí tem início uma busca ativa de casos", exemplifica.

A partir do diagnóstico, realizado por meio de ecocardiograma e exames de imagem, o cardiologista avalia se há obstrução e qual a sua dimensão, e depois determina a melhor conduta. "Podem ser recomendados medicação, procedimentos para reduzir a obstrução, como cateterismo ou cirurgia e, para aqueles com maior risco de arritmia, o uso de desfibriladores implantáveis.

Questionado sobre a prática de exercícios por pessoas com a doença, o cardiologista explica que não há pesquisas comparando os efeitos entre aqueles que praticam e os que não praticam atividade física, mas sim um consenso dos especialistas.

"Fazer atividade física é bom, mas no caso de pessoas com miocardiopatia hipertófica essa recomendação depende da gravidade da doença, se há obstrução e qual a sua dimensão. A variabilidade é muito grande", afirma.

Ele aconselha pessoas com a doença a fazerem acompanhamento com cardiologista, que vai avaliar pelos exames a possibilidade de atividade física, e adianta que, dependendo do grau da obstrução, a recomendação será não praticar exercícios. "Eles podem acelerar a doença e trazer riscos", justifica.

Já nos casos sem obstrução, após a primeira avaliação, a pessoa pode ser liberada para atividade física moderada, com acompanhamento médico frequente.

Além disso, o especialista lembra que qualquer pessoa com intenção de praticar esportes em nível competitivo deve se consultar periodicamente. "No caso de pessoas de meia-idade, com histórico familiar de doenças cardiovasculares, esse acompanhamento também é mandatório."

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