'Quase perdi parte do meu intestino e poderia ter morrido', diz marido de Bella Falconi sobre doença

Ricardo Maguila e Bella Falconi (Foto: Reprodução/ Instagram @maguila)

Por Gislene Pereira

Maio marca o mês de conscientização sobre as doenças inflamatórias intestinais. Neste dia 19, data mundial para falar sobre as enfermidades crônicas que atingem aproximadamente 5 milhões de pessoas ao redor do mundo, Ricardo Maguila, marido da digital influencer Bella Falconi, conta com exclusividade sua trajetória com a doença e relembra a pior crise que passou até aqui: uma internação de nove dias após um longo período de negligência e automedicação.

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Descoberta da doença

“Fui diagnosticado com retocolite ulcerativa há sete anos, quando já morava em Orlando (EUA). O laudo dizia que minha doença era de fundo emocional, ligada ao estresse. Meu físico também dava sinais: estava cada vez mais fraco e pálido, sem saber o motivo. Naquela época, trabalhava muito, minha alimentação não era saudável e não cuidava do meu corpo.

Meus exames apontavam sangramento oculto nas fezes e um nível muito baixo de hemoglobina. Estava anêmico e, por muito pouco, não recebi uma transfusão de sangue. Precisei ficar internado por três dias tomando a medicação adequada e, quando sai do hospital, carreguei comigo uma lista de remédios para tomar por tempo indeterminado.

Até àquela altura, nunca havia escutado falar na doença. Só depois do diagnóstico foi que li alguns artigos para me informar melhor. O que mais me surpreendia em relação à retocolite é que não sentia dor, meu único sintoma era a fraqueza.

Durante muito tempo, segui as instruções médicas e tomei meus medicamentos diariamente. Porém, há uns três anos, comecei a diminuir a dose recomendada aos poucos por conta própria e, além disso, me automedicava com cortisona quando algum indício de crise aparecia, como sangramento ou muco nas fezes, perda de peso e de apetite, fraqueza... Tudo para evitar ir ao médico.

Nas vezes em que fiz a colonoscopia [exame que detecta anormalidades em algumas regiões do intestino], foi simples: recebi sedação no começo do procedimento e só acordei minutos depois de ele ter acabado. O que achava chato mesmo era a preparação para o exame, que exige tomar laxante para a limpeza do intestino e, consequentemente, passar a noite toda no banheiro.”

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Pior crise de retocolite ulcerativa

“Fui fazendo vistas grossas para os sintomas, mas, em novembro do ano passado, um quadro de diarreia mostrou que minha doença estava em fase de crise. Como já estava perto das festas de fim de ano, preferi esperar para ir ao médico no Brasil.

Desembarquei dia 8 de dezembro de 2018, mas não tive descanso. A agenda estava cheia de compromissos de trabalho em São Paulo, Goiânia, Belo Horizonte... Até que chegou a vez de uma viagem com a família para Gramado (RS). Voamos de Belo Horizonte para Porto Alegre e, quando pousamos, estava sentindo cólicas mais fortes. Para aliviar a dor, tomei uns analgésicos e me deitei no banco de trás da van que nos levaria a Gramado, já tarde da noite.

Chegando lá, estava com dores muito fortes. Preocupada, a Bella [Falconi] pediu para que minha família conversasse comigo, pois meu pai e dois irmãos são médicos. Eles me convenceram a voltar a Porto Alegre na manhã seguinte para fazer exames e retornar a Belo Horizonte o quanto antes. Mesmo medicado com um remédio mais forte, quando retornei a BH, os médicos me viram e pediram uma internação imediata.

Ao todo, foram nove dias no hospital, longe das minhas filhas [Vicky e Stella, de 3 anos e 9 meses, respectivamente], em plena semana do Natal. Em vez de festa, glamour e roupas caras, tudo o que eu tinha era uma cama e uma cadeira embaixo do chuveiro, porque não conseguia nem ficar em pé. Passei vários dias apenas no soro, usei sonda e fralda geriátrica e, além disso, tive dores que ninguém pode imaginar, mesmo sendo medicado e acompanhado por uma equipe supercapacitada, chefiada pelo médico Geraldo Magela, referência na área e amigo da família. Entrei com 85 quilos e saí de lá pesando 61. Por me automedicar e ser negligente comigo mesmo, quase perdi parte do meu intestino e poderia ter morrido. Não desejo a ninguém passar pelo o que passei.”

Vida normal com a doença

“Acredito que minha recuperação foi mais rápida que o normal porque, nos seis meses anteriores a minha chegada ao Brasil, segui uma dieta bem regrada e corri quase todos os dias, hábitos saudáveis que quem têm retocolite ulcerativa deve seguir. Após quase meio ano dessa fase terrível da minha doença, estou sem sintomas e já cheguei ao meu peso normal.

Passei a incluir nos meus cuidados novos tratamentos alternativos indicados por especialistas, como a soroterapia, aplicação intravenosa com vitamina D que me deixa novo em folha, e também tenho seguido as recomendações médicas à risca. Voltei as minhas atividades normais, embora tenha demorado bastante para recuperar a resistência para correr.

Tirei muitos aprendizados de tudo o que aconteceu comigo e digo, com toda a certeza, que sou outra pessoa. Minha família agora é minha prioridade, dou mais valor a momentos que deixava passar despercebido e deixei o trabalho em segundo lugar.

Um conselho para quem está sentindo algum dos sintomas que citei, como diarreia, muco ou sangue nas fezes e perda de peso ou de apetite, é procurar um médico para saber o que pode estar acontecendo o quanto antes. Se você conhece alguém com a doença, insista para que ela busque ajuda profissional. Sou muito cabeça dura e só fui ao hospital graças à insistência da minha irmã e da Bella. Meu desejo agora? A remissão a todos os portadores de doenças inflamatórias intestinais.”