Doentes de covid-19 imploram por leitos nos hospitais do Líbano

Bachir EL KHOURY
·2 minuto de leitura
Hospital Rafic Hariri, de Beirute, em 5 de janeiro de 2021

Há poucos dias, Rachelle Halabi acompanhou seu pai, muito doente pela covid-19, a um hospital em Beirute, mas o médico pediu que eles voltassem e tratassem dele em casa, devido à falta de leitos na UTI.

Recentemente, foram registrados novos picos diários de contágios no Líbano, e os profissionais de saúde soaram o alarme, levando o governo a anunciar um novo confinamento de quinta-feira (7) até o final de janeiro.

"O médico do pronto-socorro sugeriu que comprássemos uma máquina de oxigênio e administrássemos o tratamento em casa", conta Rachelle por telefone, que também deu positivo.

Ela afirma ter seguido as recomendações por vários dias, mas o estado de saúde de seu pai de 85 anos "não melhorou", o que a levou a tentar a sorte novamente nos hospitais.

Mas é difícil. As festas de fim de ano trouxeram um aumento nos casos de contágio e quase saturaram as unidades de terapia intensiva. Enquanto isso, as filas de espera nos serviços de emergência aumentam.

Depois de entrar em contato com vários hospitais e após inúmeras recusas, Rachelle encontrou um leito disponível em um hospital particular na cidade de Zahlé (zona leste), a cerca de 50 km de Beirute. Teve de pagar ao hospital um depósito de 15 milhões de libras, cerca de US$ 10.000 no câmbio oficial.

"Como é para quem não tem recursos?", questiona indignada essa mulher em um país mergulhado em uma grave crise econômica.

Nas redes sociais, aumentam os pedidos para ajudar os pacientes a encontrarem um lugar nos hospitais.

"Uma mulher de 69 anos sofre de sintomas graves (...) e precisa urgentemente ser hospitalizada (...) Alguém pode ajudar?", postou Riwa Zouein no Facebook na segunda-feira.

Apesar do aumento da capacidade de acolhida dos hospitais nas últimas semanas, o número de contágios gerou uma nova saturação.

- Cenário catastrófico -

"A situação atualmente é catastrófica, tanto pelo número de pacientes que chegam em massa às emergências, quanto pela gravidade dos casos", lamenta o chefe do serviço de emergência do Hôtel-Dieu de France, Antoine Zoghbi.

"Agora transportamos cerca de 100 pacientes por dia que precisam de internação", acrescenta o secretário-geral da Cruz Vermelha, Georges Kettaneh.

Em 31 de dezembro, foram registrados mais de 3.500 novos casos, um pico diário.

Desde o início da pandemia, o Líbano registrou mais de 192.000 casos, com cerca de 1.500 óbitos, para uma população de em torno de seis milhões de pessoas. Deste total, 1,5 milhão são refugiados.

Nas redes sociais, as críticas às medidas decretadas pelas autoridades não param.

O governo "abre o país para as festas (...) depois fecha o país e as empresas após as festas (...)", protesta Yara Sreikh no Twitter.

"Assim conseguiremos atenuar a propagação da epidemia", ironiza.

bek/lar/feb/erl/zm/tt