Dois agentes russos acusados de ciberataque contra o Yahoo nos EUA

Por Sophie ESTIENNE
Cartazes de "procurados" a ser revelados antes de uma conferência em Washington para anunciar russos acusados de ciberataques

Autoridades americanas acusaram nesta quarta-feira o serviço de inteligência russo FSB de ser responsável por um ciberataque maciço contra o grupo de internet Yahoo, em mais uma denúncia de ingerência de Moscou nos sistemas informáticos dos Estados Unidos.

O Departamento de Justiça americano anunciou quatro acusações por este ataque, que começou em 2014 e é considerado um dos mais ambiciosos já realizados, com ao menos 500 milhões de contas de usuários afetadas e um roubo de informação que durou até 2016.

Dois dos acusados são espiões do FSB, o organismo de inteligência que substituiu a KGB, Dmitri Dokuchaiev e Igor Sushchin.

De acordo com as autoridades, eles "protegeram, dirigiram, facilitaram e pagaram hackers para reunir informações através da invasão informática nos Estados Unidos e em outros lugares".

Dokuchaiev, assim como outro especialista em cibersegurança do FSB, foi detido há algumas semanas na Rússia e acusado de "traição" em benefício dos Estados Unidos, informou então um dos seus advogados.

Dois hackers que trabalharam para os espiões russos também foram imputados na quarta-feira nos Estados Unidos: o russo Alexei Belan ("Magg"), que desde 2013 consta na lista dos hackers mais buscados, e Karim Baratov, que tem dupla nacionalidade, canadense e cazaque, e que foi detido na terça-feira no Canadá.

Belan foi preso na Europa em 2013 a pedido dos Estados Unidos, mas conseguiu fugir para a Rússia, onde Dmitri Dokuchaiev e Igor Sushchin decidiram, em vez de detê-lo, recorrer aos seus serviços e facilitar suas atividades criminosas ajudando-o a escapar das investigações contra ele na Rússia, segundo o Departamento de Justiça.

Jornalistas, governos e empresas

Uma vez que entraram nos sistemas informáticos do Yahoo, os hackers acessaram 500 milhões de contas de usuários e utilizaram algumas das informações roubadas para invadir contas de outros serviços de internet, como os do Google.

O ataque se concentrou particularmente nas contas privadas de jornalistas russos, de altos funcionários dos governos da Rússia e dos Estados Unidos, assim como de funcionários de várias empresas privadas.

O Departamento menciona, sem identificar, duas empresas russas, uma de cibersegurança e uma de investimentos, una empresa francesa de transportes, uma companhia aérea e sociedades de serviços financeiros e de investimentos nos Estados Unidos e um gestor eletrônico suíço que utiliza a moeda virtual bitcoin.

"Com essas acusações, o Departamento de Justiça continua enviando a firme mensagem de que não permitiremos que indivíduos, grupos, Estados ou uma combinação de vários destes comprometam a vida privada de nossos cidadãos, os interesses econômicos de nossas empresas ou a segurança do nosso país", afirmou a secretária adjunta da Justiça, Mary McCord, durante uma conferência de imprensa.

As acusações desta quarta-feira chegam em um momento em que há várias investigações em andamento no Congresso americano para estabelecer em que medida Moscou interferiu na eleição presidencial do ano passado para favorecer Trump, como afirma o serviço de inteligência americano.

"As acusações demonstram sem equívocos que os ataques contra o Yahoo foram apoiados por um Estado", apontou Chris Madsen, um dos responsáveis de assuntos legais do grupo de internet.

A empresa anunciou em setembro passado que 500 milhões de contas tinham sido invadidas durante um ciberataque que remonta a 2014, e atribuiu o crime a hackers "provavelmente vinculados a um Estado".

O Yahoo também admitiu, em dezembro, que outro ciberataque, ocorrido em 2013, afetou mais de um bilhão de pessoas, o que representa praticamente todos os seus usuários.