Dois aliados de Putin ridicularizam máquina de guerra da Rússia em público

Presidente da Rússia, Vladimir Putin, em Moscou

Por Guy Faulconbridge e Felix Light

LONDRES (Reuters) - A retirada das forças russas de uma cidade estrategicamente importante no leste da Ucrânia levou dois poderosos aliados do presidente Vladimir Putin a fazer algo raro na Rússia moderna: ridicularizar publicamente o alto escalão da máquina de guerra.

A perda da Rússia do bastião de Lyman, que coloca partes ocidentais da região de Luhansk sob ameaça, irritou Ramzan Kadyrov, líder da república da Chechênia, no sul da Rússia.

Kadyrov, que é próximo de Putin desde que seu pai e ex-presidente da Chechênia, Akhmad, foi morto em um ataque a bomba em Grozny em 2004 que também matou um fotógrafo da Reuters, sugeriu que a Rússia deveria considerar o uso de uma pequena arma nuclear tática na Ucrânia em resposta à perda.

O alerta nuclear ganhou as manchetes, mas seu desprezo público por importantes generais da Rússia pode ter sido igualmente significativo em uma Rússia onde as críticas públicas ao esforço de guerra dos altos escalões da elite são um tabu.

"O nepotismo no Exército não levará a nada bom", disse Kadyrov, acrescentando que o comandante das forças russas na área deve ter suas medalhas retiradas e enviado para a linha de frente com uma arma para lavar sua vergonha com sangue.

Esse desprezo público pelos generais que comandam a guerra da Rússia é significativo porque indica o nível de frustração dentro da elite de Putin sobre a condução da guerra.

Kadyrov, que apoia a guerra e enviou muitas de suas próprias unidades chechenas para lutar, disse que suas críticas são a amarga verdade sobre uma força de combate russa que, segundo ele, permitiu que medíocres sem talento decepcionassem o país.

O Ministério da Defesa não respondeu a um pedido de comentário. Autoridades russas dizem que o histórico de guerra da Rússia mostra que os combates geralmente começam mal até que os militares possam ser devidamente organizados. Menosprezar a Rússia, dizem, é uma aposta ruim.

Questionado sobre as observações de Kadyrov, o poderoso fundador do Grupo Wagner de mercenários, Yevgeny Prigozhin, parabenizou o líder checheno.

"Todos esses bastardos deveriam ser enviados descalços para o front com armas automáticas."

Quando perguntado se suas palavras deveriam ser consideradas críticas ao Ministério da Defesa, Prigozhin respondeu com ironia: "Deus me livre".

"Essas declarações não são críticas, mas apenas uma manifestação de amor e apoio", disse Prigozhin, que os Estados Unidos dizem comandar um exército mercenário que se envolveu em conflitos no Mali, na República Centro-Africana, na Líbia e na Síria.