Dois coordenadores entregam cargos na Palmares por insatisfações com trabalho de Sérgio Camargo

VICTORIA AZEVEDO
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***ARQUIVO***BRASILIA, DF, 06.05.2020: O presidente da Fundação Palmares, Sérgio Camargo, chega ao palácio do  planalto para almoço com o presidente Jair Bolsonaro. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
***ARQUIVO***BRASILIA, DF, 06.05.2020: O presidente da Fundação Palmares, Sérgio Camargo, chega ao palácio do planalto para almoço com o presidente Jair Bolsonaro. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Fundação Palmares teve mais duas baixas nesta quinta-feira (11): Roberto Carlos Braz, coordenador-geral de Gestão Interna, e Raimundo Chaves, coordenador-geral do Centro Nacional de Informação e Referência da Cultura Negra, entregaram seus cargos após insatisfações com o trabalho do presidente da instituição, Sérgio Camargo.

Eles seguiram o mesmo caminho que Ebnézer Nogueira, diretor de Fomento da Cultura Afro-Brasileira da Palmares.

A reportagem teve acesso a uma carta com o pedido da demissão dos três que foi entregue ao presidente da fundação, Sérgio Camargo, na manhã desta quinta (11).

Nela, os três citam que a "decisão extremada" ocorre após "inúmeras tentativas de interlocução com a presidência, acerca da gestão do órgão, que envolve os compromissos acordados no ato da posse".

"Como diretores e coordenadores dos departamentos que compõem a instituição, fomos voto vencido mesmo sendo a maioria em decisões cruciais ao bom andamento de projetos, ações de mudança de sede e demais políticas públicas que poderiam ser entregues à população até este momento", diz o texto.

Eles afirmam que tiveram suas decisões "indeferidas ou ignoradas" e que presenciaram diversas vezes "pessoas que não tinham prerrogativa de voto, por não compor a diretoria e mesmo assim participavam de reuniões e interferiam nas decisões, causando ingerência de forma generalizada".

E dizem que essas pessoas, no entanto, "não assumem os riscos da condução das ações dos departamentos e se isentam das suas consequências".

"Seja por má fé ou falta de conhecimento de nossas áreas, assistimos estarrecidos ao Senhor Presidente ser conduzido ao erro por servidores de longa data e que trabalharam fielmente nas antigas gestões desta Fundação", segue o texto.

"Coerentes com nossos princípios morais e políticos, tomamos uma difícil decisão de desligamento de nossos cargos por não encontrarmos mais viabilidade de diálogo entre os diretores o Presidente", finalizam.

A reportagem entrou em contato com a Fundação Palmares mas não teve retorno até a publicação desta nota.