Dois dias após reaparecimento de Kim Jong-un, soldados do Norte e do Sul da Coreia trocam tiros na fronteira

Com agências internacionais

PYONGYANG - As Coreias do Norte e do Sul trocaram tiros na Zona Desmilitarizada, que divide os dois países. Militares de Seul relataram que disparos vindos do norte atingiram um posto de guarda sul-coreano na cidade fronteiriça central de Cheorwon, na manhã deste domingo. O episódio aumenta a tensão entre os dois países, dois dias após o líder norte-coreano Kim Jong Un interromper uma ausência de quase três semanas da vida pública, ao ter imagens da visita a uma fábrica publicadas pela mídia estatal.

O militares da Coreia do Sul disseram também que devolveram o fogo e fizeram um anúncio de aviso, segundo o site da BBC. Não há relatos de feridos. Tais incidentes na fronteira mais fortemente fortificada do mundo são raros - o último ocorreu em 2017. Ainda não está claro o que levou a Coreia Norte a abrir fogo.

Após semanas de intensa especulação sobre a saúde e o paradeiro de Kim, a mídia oficial do país publicou fotografias e uma matéria neste sábado de que Kim havia participado da conclusão de uma fábrica de fertilizantes, o primeiro relato de sua aparição desde 11 de abril.  A agência de notícias sul-coreana Yonhap divulgou, neste domingo, que Kim não foi submetido a cirurgia durante suas quase três semanas de ausência, citando um alto funcionário do governo. A notícia contraria parte das especulações que vinham sendo feitas nos últimos dias.

A troca de tiros foi o último confronto entre as Coreias rivais, que tecnicamente permanecem em guerra. Choi Kang, vice-presidente do Instituto Asiático de Estudos Políticos, diz que o momento de provocação na "área cinzenta" mostra que Kim ainda está no comando das forças armadas norte-coreanas.

- Ontem, Kim estava tentando mostrar que está perfeitamente saudável e, hoje, está tentando silenciar todos os tipos de especulações de que ele pode não ter controle total sobre os militares - disse Choi. - Em vez de percorrer todo o caminho disparando mísseis e supervisionando o lançamento de mísseis, Kim poderia estar nos lembrando: 'sim, eu sou saudável e ainda estou no poder'.

O professor de assuntos internacionais da Universidade de Ewha, Leif-Eric Easley, em Seul, disse que o incidente poderia ter como objetivo melhorar a imagem das forças armadas norte-coreanas.

- O regime de Kim pode estar tentando elevar o moral de suas tropas da linha de frente e recuperar qualquer poder de negociação perdido durante as semanas cheias de boatos da ausência do líder. 

Oficiais militares do sul dizem que não havia sinal de movimentos incomuns de tropas na região. Eles estão tentando descobrir se os disparos foram acidentais ou deliberados.

O site da BBC também informou que há uma "baixa possibilidade" de que os tiros disparados pela Coréia do Norte tenham sido intencionais, segundo os militares sul-coreanos. Porém, mesmo que tenha sido um acidente ou um erro de cálculo, isso mostra o quão importante é para as tropas manterem a atenção na Zona Desmilitarizada.

Nos últimos meses, houve um grande número de exercícios militares no país do norte, com o objetivo de melhorar a capacidade de resposta a uma "guerra real", segundo a mídia estatal.

Mas qualquer sinal de fogo direto será uma decepção para muitos na Coreia do Sul. Nos últimos dois anos, houve muito trabalho para aliviar as tensões entre os dois países depois que o Presidente Moon Jae-in conheceu Kim Jong-un. Os dois lados assinaram um acordo militar, e qualquer tiro deliberado violaria esse pacto.