Dois dias após saída de Teich, perfis no Twitter repetem mensagem em defesa do uso da cloroquina para tratamento da Covid-19

RIO - Uma série de perfis no Twitter replicaram neste domingo uma mesma mensagem — comportamento semelhante ao de robôs nas redes sociais — em defesa ao uso da cloroquina para tratamento da Covid-19. As publicações acontecem dois dias depois da demissão, a pedido, de Nelson Teich do Ministério da Saúde, que, contrariando a posição do presidente Jair Bolsonaro, disse que atualmente há estudos que indicam que o remédio pode não ser benéfico para enfrentar o novo coronavírus.

A mensagem replicada era: "Minha filha pegou covid no trabalho (Bancária), e meu genro pegou dela, tomaram AZT+HCQ+Zinco logo no inicio dos sintomas, com 4 dias estavam zerados. Não vejo motivo pra tanta polêmica, um medicamento tão antigo e que até grávida pode tomar. Simples...ñ acredita ñ toma!!!"

Perfis que se comportam como robôs ajudam a turbinar pautas bolsonaristas nas redes. O uso desse mecanismo seria usado, inclusive, pelo que já foi chamado "gabinete do ódio" que é alvo da CPI das Fake News no Congresso. O grupo chamado de “gabinete do ódio” é, supostamente, formado por assessores do Palácio do Planalto ligados ao núcleo duro da família Bolsonaro. Eles seriam encarregados de coordenar ataques virtuais e disseminação de notícias falsas nas redes sociais.

A deputada e ex-líder do governo no Congresso, Joice Hasselmann (PSL-SP), disse à CPI das Fake News em dezembro do ano passado que o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) é um dos coordenadores de estrutura montada pelo grupo de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro para fazer ataques virtuais. Segundo a deputada, Eduardo está “amplamente envolvido” no esquema, do qual também fazem parte assessores dele e de outros deputados federais e estaduais, além de integrantes do Planalto.

Desde o início da epidemia, parte da comunidade científica se manifestou de forma cética em relação aos supostos benefícios da cloroquina e da hidroxicloroquina no tratamento da Covid-19. No Brasil, a droga é amplamente usada no tratamento de doenças como malária e lupus. Médicos alertam para efeitos colaterais como arritmias que podem se fatais em pacientes como problemas cardíacos.

Um estudo realizado no Amazonas chegou a ser parcialmente suspenso após a morte de pacientes que receberam doses altas de cloroquina. Apesar das controvérsias, o presidente defendeu em diversos discursos o uso da droga. No dia 8 de abril, ele chegou a defender o medicamento até na fase inicial da doença.

— Instruí meus ministros: após ouvir médicos, pesquisadores e chefes de Estado de outros países, passei a divulgar, nos últimos 40 dias, a possibilidade de tratamento da doença desde sua fase inicial — afirmou

O Conselho Federal de Medicina (CFM) emitiu um parecer afirmando que não há evidências de que a droga tenha benefícios no tratamento da Covid-19, mas liberou médicos a prescrevê-la em algumas situações e sempre após informar o paciente sobre os riscos da droga.