Dois drones abatidos sobre base com militares americanos no Iraque

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Homem controla drone de uma duna do deserto perto da cidade de Nasiriyah, no sul do Iraque, na madrugada de 24 de abril de 2021

Dois drones foram abatidos, neste domingo (6), sobre uma base aérea que abriga soldados americanos no Iraque e que já havia sido atacada há um mês com um drone com explosivos, técnica usada por grupos pró-iranianos, anunciou o Exército iraquiano.

Baterias de defesa C-RAM, instaladas pelo Exército americano após a multiplicação dos ataques com foguetes e outros projéteis contra tropas e interesses diplomáticos no Iraque, foram ativadas ao amanhecer para interceptar os drones que sobrevoavam a base aérea de Ain al-Assad, no oeste do Iraque.

Três hora antes desta incursão, que ainda não foi reivindicada, um foguete atingiu o aeroporto de Bagdá, sem causar vítimas ou danos, informou a coalizão antijihadista no Iraque liderada pelos militares americanos.

A nova tentativa de ataque à base de Ain al-Assad preocupa as autoridades militares dos Estados Unidos, inimigo da República Islâmica do Irã.

Os Estados Unidos têm cerca de 2.500 soldados, dos 3.500 militares da coalizão, no Iraque, onde o Irã exerce uma influência muito forte.

O Exército americano acusa grupos iraquianos pró-Irã de ajudar os rebeldes iemenitas huthis - igualmente apoiados pela República Islâmica - em ataques com drones contra a Arábia Saudita, que faz fronteira com o Iraque e o Iêmen.

E os grupos iraquianos têm usado a mesma técnica - drones com explosivos - contra alvos americanos no Iraque há vários meses.

Para oficiais e diplomatas estrangeiros no Iraque, esses ataques não são apenas um perigo para seus homens, mas também para a luta contra o grupo terrorista Estado Islâmico (EI), que mantém células clandestinas nas áreas montanhosas e desérticas do país.

"Esses ataques são distrações, as únicas pessoas que se beneficiam são os extremistas islâmicos, porque cada ataque a uma base onde a coalizão está localizada nos força a parar tudo para proteger nossas tropas", comentou um oficial à AFP.

O esforço de guerra contra o EI, em particular a inteligência e vigilância, é redirecionado para a localização de grupos móveis pró-Irã, que na maioria das vezes se escondem atrás de pequenos grupos pouco conhecidos.

As autoridades iraquianas, por sua vez, lutam há anos para prender os perpetradores, pois essas mesmas facções foram integradas às forças regulares ou mantiveram vínculos com elas.

Em várias ocasiões, quando as autoridades prenderam combatentes pró-Irã por ataques com foguetes contra os interesses dos EUA, seus grupos realizaram demonstrações de força no centro do poder em Bagdá, a Zona Verde, forçando as autoridades a recuar.

No total, desde o início do ano, foram registrados 39 ataques contra americanos, às vezes reivindicados por facções pró-Irã.

Os grupos pró-Irã fazem campanha para forçar os americanos, que eles chamam de "ocupantes", a deixarem o Iraque.

Esses ataques tiveram como alvo a embaixada dos Estados Unidos em Bagdá, bases iraquianas que abrigam americanos ou os dois aeroportos internacionais de Bagdá e Erbil. no Curdistão iraquiano, bem como comboios de logística iraquianos que fornecem tropas iraquianas e internacionais.

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