Dois eurodeputados admitem viagem não declarada ao Catar

O eurodeputado belga Marc Tarabella não declarou uma viagem paga pelo Catar, admitiu neste domingo (15) o seu advogado, poucos dias depois de a sua colega Marie Arena ter relatado um "descuido" semelhante relativo a uma estadia no emirado, em meio ao escândalo de suposta corrupção na Eurocâmara.

Depois de indiciar quatro pessoas por suposta corrupção a favor do Catar, as autoridades judiciais belgas pediram a suspensão da imunidade de Tarabella, próximo de Pier-Antonio Panzeri, um ex-deputado italiano no centro do caso, e na casa de quem apreendeu 600.000 euros (cerca de US$ 650.000) em dinheiro.

Tarabella, cuja casa também foi revistada, nega qualquer cumplicidade, mas o eurodeputado socialista admite ter feito uma viagem paga pelo Catar em fevereiro de 2020 que não declarou ao Parlamento, como deveria ter feito.

"Ele foi convidado para um congresso. Foi a organização que pagou", disse seu advogado, Maxim Töller, ao canal belga RTL. "Ainda não declarou (...). Depois partiu para o Gana, depois teve covid. Sua colaboradora lembrou-o de fazer, mas o prazo expirou", explicou.

"Ele vai regularizar as coisas (...). Não há nada de ilegal em ter uma viagem paga por uma organização", insistiu o advogado, destacando que o deputado "foi ver a construção dos estádios e pediu para se reunir com os trabalhadores”.

Na quarta-feira, a eurodeputada belga Marie Arena também admitiu não ter declarado uma missão ao Catar em maio de 2022 paga pelo emirado.

Arena culpou sua secretária por "descuido" e falou de um "documento bastante complicado de preencher", segundo declarações à imprensa belga.

Arena mais tarde renunciou à presidência do subcomitê de direitos humanos do Parlamento Europeu, cargo anteriormente ocupado por Pier-Antonio Panzeri.

Em 2 de janeiro, o Parlamento Europeu anunciou o início de um procedimento para levantar a imunidade de dois deputados. Embora não tenha divulgado seus nomes, fontes próximas à investigação informaram à AFP que se trata do representante italiano Andrea Cozzolino e de Tarabella.

Ambos estão na mira da investigação que levou autoridades belgas a prender uma das vice-presidentes da instituição, a eurodeputada socialista grega Eva Kaili, em 9 de dezembro.

O seu companheiro, o italiano Francesco Giorgi - que também é assistente parlamentar de Cozzolino -, o ex-deputado Panzeri e o líder de uma ONG, Niccolo Figa-Talamanca, também estão entre os detidos.

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