Dois franceses 'antissistema' e diametralmente opostos na disputa da presidência

Por Cécile FEUILLATRE
1 / 2

Macron

O candidato à presidência francesa pelo movimento Em Marcha!, Emmanuel Macron, durante discurso no Parque de Exposições de Paris, na França

A batalha pelo segundo turno da eleição presidencial francesa começou nesta segunda-feira entre o pró-europeu Emmanuel Macron e a líder da extrema direita Marine Le Pen, dois candidatos diametralmente opostos, mas que reivindicam encarnar a ruptura com o "sistema".

Depois de uma campanha presidencial de vários meses cheia de surpresas e suspense, o centrista Emmanuel Macron, de 39 anos, venceu o primeiro turno realizado no domingo, com 23,86% dos votos, seguido pela líder da Frente Nacional, de 48 anos, com 21,43% dos votos, segundo resultados quase definitivos. Quase 7 milhões de votos, um recorde para o partido.

Sentimentos de alegria e fervor dominaram os partidários dos dois candidatos ao Eliseu após o anúncio dos resultados.

"Estamos vivendo um momento histórico com um candidato que finalmente deixa o bipartidarismo, que vai renovar a classe política, e isso é uma boa notícia para a Europa", entusiasma-se um jovem partidário de Macron, Quentin.

"Faz anos que espero por isso, que cospem em nós, que nos chamam de nazistas, mas, finalmente, as pessoas abriram os olhos!", exclama por sua vez um militantes da FN, Aldric Evezard, em Hénin-Beaumont (norte).

Este primeiro turno, que foi marcado por uma participação em massa de cerca de 80% sob vigilância em meio as ameaças terroristas, selou a eliminação dos dois grandes partidos tradicionais de direita e esquerda na corrida final à presidência. Eliminação sem precedentes desde o advento da Quinta República em 1958.

O conservador François Fillon, cuja campanha afundou em razão de seu indiciamento por um caso de empregos fictícios, reconheceu uma derrota humilhante, com 19,94% dos votos, lado a lado com o líder da esquerda radical Jean-Luc Mélenchon. O socialista Benoit Hamon sofreu um "desastre", em suas próprias palavras, com 6,35% dos votos.

As manchetes dos jornais franceses resumiam o choque do primeiro turno e os desafios futuros: "a direita W.O", era a manchete do jornal de direita Le Figaro. O jornal de esquerda Libération exibia um retrato de Macron com o título: "a um passo". "Nunca!", exclamava por sua vez o jornal comunista L'Humanité com uma foto de Le Pen.

Emmanuel Macron aparece bem posicionado para o segundo turno, com grande parte da classe política francesa, direita e esquerda, apelando a um "bloqueio" da extrema direita. Os candidatos derrotados François Fillon e Benoit Hamon também indicaram que votariam no centrista.

O presidente em fim de mandato François Hollande, felicitou o seu ex-ministro da Economia, que renunciou em agosto de 2016 para criar o movimento "Em Marcha", "nem de direita nem de esquerda" e embarcar na corrida para o Eliseu.

- Europa e globalização -

Diante de muitos partidários reunidos no sul de Paris, Emmanuel Macron garantiu que seria a "voz da esperança" para a França e "para a Europa", e assegurou querer ser "o presidente dos patriotas frente a ameaça dos nacionalistas".

Partidário da UE, o ex-ministro da Economia também recebeu forte apoio do presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, e do governo alemão de Angela Merkel.

O euro iniciou esta segunda-feira em forte alta na Ásia em relação ao dólar e ao iene.

"O grande desafio desta eleição é a globalização selvagem que ameaça a nossa civilização", afirmou, por sua vez, Marine Le Pen.

"Ou continuamos no caminho da desregulamentação total, ou escolhemos a França", afirmou a seus seguidores, descrevendo-se como "a candidata do povo".

Le Pen defende a saída da zona do euro e quer submeter a permanência da França na União Europeia a um referendo.

Nesta segunda-feira, os dois candidatos vão recarregar suas armas. Emmanuel Macron terá, de acordo com sua comitiva, "discussões políticas", incluindo negociações com parte da direita e da esquerda para garantir as condições de um eventual apoio e preparar, sem dúvida, um governo de abertura.

Porque à sombra da eleição presidencial, as legislativas de 11 e 18 de junho serão um terceiro turno decisivo.