Dois indígenas são mortos em atentado no Maranhão

FABIANO MAISONNAVE E RUBENS VALENTE
*ARQUIVO* BOM JESUS DAS SELVAS, MA, 19.11.2019 - Índios da etnia Guajajara em estrada que liga a aldeia Jenipapo e a aldeia Lagoa Comprida. Tensão e ameaças forçam retirada de 'guardiões da floresta' de terra indígena. Região no Maranhão que foi cenário de assassinatos vive escalada de violência, com rotina de medo. (Foto: Eduardo Anizelli/Folhapress)

MANAUS, AM, E BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Dois indígenas da etnia guajajara morreram e ao menos outros quatro foram baleados neste sábado (7), em um atentado no município de Jenipapo dos Vieiras (MA), a 506 km ao sul de São Luís.

O crime aconteceu às margens da BR-226, entre as aldeias Boa Vista e El Betel. Os tiros foram disparados a partir de um carro, segundo testemunhas. Os mortos são Raimundo Guajajara e Firmino Guajajara. Ninguém havia sido preso até a publicação deste texto.

Com as mortes, sobre para três o número de guajajaras assassinados neste ano. Em 1º de novembro, Paulino Guajajara, 26, do grupo de fiscalização "Guardiões da Floresta", foi morto com um tiro na Terra Indígena Arariboia.

"Esse crime está dentro dessa escalada dos crimes de ódio. As pessoas estavam em um carro e passaram atirando e queriam matar o quanto podiam. É esse crime de ódio que está em curso pelo Brasil, estimulado pelo discurso de governo, que aumenta o racismo e o ódio contra os indígenas", disse à reportagem Sônia Guajajara, coordenadora da Apib (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil).

O Governo do Maranhão mobilizou as polícias Civil e Militar e a Secretaria de Estado dos Direitos Humanos e Participação Popular (Sedihpop) para acompanhar o caso.