Dois iranianos são detidos na Alemanha, acusados de preparar atentado 'islamita'

As autoridades alemãs anunciaram, neste domingo (8), a detenção de dois jovens iranianos, suspeitos de preparar um atentado "islamita" com cianureto e ricina, apesar de, após uma revista à sua casa, os agentes não terem encontrado nenhuma substância tóxica.

A imprensa alemã reportou que as prisões se seguiram a uma advertência do FBI.

Os dois detidos são M.J., de 32 anos, e seu irmão, J.J., de 25, e em breve ambos "serão apresentados perante um juiz em vista de sua prisão provisória", informou na tarde deste domingo, em nota, o Ministério Público regional de Düsseldorf (oeste da Alemanha).

"São acusados de entrar em acordo para cometer um atentado de inspiração islamita, para o qual queriam obter substâncias tóxicas, como cianeto e ricina, com as quais pretendiam matar um número indeterminado de pessoas", informou o MP.

O apartamento dos suspeitos em Castrop-Rauxel (na região da Renânia do Norte-Westfália, no oeste da Alemanha) foi revistado em busca de "substâncias tóxicas", destinadas a cometer um ataque, segundo uma nota da procuradoria-geral e da polícia.

No entanto, os investigadores não encontraram "nenhum indício" da presença destes produtos no alojamento dos suspeitos, destacou ao meio-dia à AFP o procurador de Düsseldorf, Holger Heming.

Os dois foram detidos no mesmo local durante a madrugada de sábado para domingo, reportaram veículos de imprensa alemães.

- Grupo no Telegram -

Segundo o ministro regional do Interior, Herbert Reul, as autoridades receberam "pistas que deviam levar a sério" e que levaram "a polícia a agir durante a noite".

Os veículos de imprensa Der Spiegel e Süddeutsche Zeitung reportaram que o FBI tinha advertido os serviços secretos alemães sobre esta ameaça durante o período natalino.

Segundo a Der Spiegel, a polícia federal americana conseguiu se infiltrar em um grupo do Telegram, no qual um dos suspeitos se informou sobre como cometer atentados com explosivos ou com substâncias tóxicas.

Apesar da ausência de provas na revista domiciliar, a ministra federal do Interior, Nancy Faeser, justificou a incursão dos agentes.

"Nossos serviços de segurança levam muito a sério cada pista sobre o perigo do terrorismo islâmico", ressaltou, em nota.

Agora, a justiça deverá determinar se abre um processo contra os dois suspeitos.

Eles são suspeitos de "terem preparado um ato de violência ameaçando a segurança do Estado, ao obter cianureto e ricina para cometer um atentado de caráter islamita", informaram os investigadores.

A ricina é um agente muito tóxico, classificado pelo Instituto Robert Koch, encarregado na Alemanha da vigilância sanitária, como "arma biológica" e é extraída de sementes da planta de rícino. Pode, inclusive, ser um veneno mortal, assim como o cianureto.

Nas imagens da emissora de televisão privada NTV, observa-se as duas pessoas detidas em roupas íntimas, levadas por agentes vestindo trajes de proteção especial devido ao risco biológico.

Em 2018, a polícia alemã deteve um tunisiano de 31 anos e sua esposa, suspeitos de planejar a execução do que teria sido o primeiro atentado "biológico" no país.

Na residência do casal, que tinha jurado lealdade ao grupo extremista Estado Islâmico (EI), os investigadores encontraram 84,3 mg de ricina e cerca de 3.300 sementes de rícino para produzir veneno. Dois anos depois, o homem foi condenado a dez anos de prisão e sua esposa, a oito.

A Alemanha tem sido sacudida nos últimos anos por vários ataques islamitas, entre eles um atropelamento em massa em um mercado de Natal, em Berlim, que matou 13 pessoas em dezembro de 2016.

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