Coronavírus: 2 milhões de profissionais de saúde, segurança e familiares podem se infectar, diz Saúde

Vinicius Sassine
·3 minuto de leitura
Funcionários fazem reunião de treinamento sobre como proceder com pacientes da Covid-19 no Hospital Federal de Bonsucesso

Em uma nota técnica assinada ontem pelo secretário de Vigilância em Saúde, Wanderson de Oliveira, o Ministério da Saúde estima que a quantidade de profissionais de saúde, de segurança pública e de familiares desses profissionais com possibilidade de infecção pelo novo coronavírus ultrapassa 2 milhões de pessoas, sendo este grupo o que deve ser submetido a testes rápidos para a detecção do vírus. Até agora, a pasta distribuiu apenas 500 mil testes rápidos para a detecção de anticorpos em infectados, apesar da promessa de que milhões de procedimentos já estariam distribuídos até o fim de março.

No documento oficial, Wanderson e mais três diretores, um coordenador e um secretário do Ministério da Saúde consideram que 15% dos profissionais de saúde, de segurança pública e seus familiares têm possibilidade de desenvolver a Covid-19. Estes 15% equivalem a 2.028.138 pessoas.

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A porcentagem adotada pelo ministério é inferior, por exemplo, ao que foi detectado por um estudo da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O estudo mostrou que, entre os profissionais de saúde da rede pública do Rio, a taxa de infecção pelo coronavírus é de 25%.

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Ao todo, conforme a nota técnica, o Brasil tem 927,5 mil profissionais de saúde atuando na atenção primária e 1,57 milhão atuando em hospitais e serviços de urgência e emergência. Estes profissionais têm contato domiciliar com outras 9,7 milhões de pessoas. Já os profissionais de segurança pública são 1,2 milhão em todo o país.

Assim, a base levada em conta é de 13,5 milhão de brasileiros, ou 6,4% da população do país. Como a incidência provável de Covid-19 é de 15%, conforme a estimativa do Ministério da Saúde, devem ser submetidos a testes rápidos mais de 2 milhões de pessoas.

"A partir desse cenário, o Ministério da Saúde pretende disponibilizar gradualmente testes rápidos para detecção de anticorpos contra SARS-COV-2 aos serviços de saúde, recomendando a sua realização em pessoas sintomáticas", diz o documento do ministério. Os grupos a serem testados são profissionais de saúde em atividade, profissionais de segurança em atividade e "pessoas com diagnóstico de síndrome gripal que resida no mesmo domicílio de um profissional de saúde ou segurança em atividade".

Os profissionais devem ser testados com uma distância temporal de pelo menos sete dias após a manifestação de sintomas. "Devido às características da infecção, nos primeiros dias após o início dos sintomas os anticorpos não são devidamente detectados pelo teste", cita a nota técnica. O resultado do teste sai 15 minutos após a realização.