Dois navios pedem ajuda humanitária e atracam no Rio

Bruno Calixto
Le Boreal, um dos dois navios que conseguiram permissão do governo brasileiro para desembarcar seus passageiros

RIO — Dois cruzeiros internacionais solicitaram ajuda humanitária às autoridades brasileiras e receberam autorização para atracar no Rio e fazer a remoção de seus 413 passageiros, que voltarão de avião às suas cidades de origem. Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), os navios L’Austral e Le Boreal não tiveram permissão de outros países para o procedimento, embora não exista qualquer suspeita de contaminação por coronavírus a bordo.

As embarcações vieram da Antártida e, de acordo com a agência, boa parte dos viajantes tem mais de 60 anos. Com 223 passageiros e 146 tripulantes, o Le Boreal atracou ontem no Rio, após 14 dias em alto-mar. Os turistas não puderam sair do navio — o desembarque deles só está autorizado a partir de hoje. Segundo a Anvisa, todos deverão seguir diretamente para o aeroporto, “desde que mantidas as condições de saúde a bordo”. A agência determinou ainda que a remoção siga até domingo, “de acordo com a programação dos voos”.

Os 190 passageiros do L’Austral desembarcaram no Rio no último domingo e já voltaram para casa. Eles também foram obrigados a seguir imediatamente para o aeroporto internacional e vestiram equipamentos de proteção para não correrem o risco de serem contaminados no Rio, onde se multiplicam os casos de transmissão comunitária.

A precaução foi tomada porque os viajantes, que não apresentavam sinais da doença, já estavam há mais de 20 dias em alto-mar, sem atracar em nenhum porto, em um isolamento maior do que o recomendado por órgãos internacionais de saúde para evitar o contágio. Os 62 tripulantes do L’Austral continuam, no entanto, no ancoradouro.

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Após o desembarque de todos os passageiros, os dois navios farão uma parada técnica para o abastecimento de água e alimentos e seguirão juntos de volta para a França, país de origem das embarcações.

O Le Boreal e o L’Austral são operados pela empresa Compagnie du Ponant. A expedição rumo à Antártida nos navios começou em Ushuaia, cidade da Argentina que fica no arquipélago da Terra do Fogo, no extremo sul da América do Sul, conhecido como “fim do mundo”, e atravessou o Cape Horn. O itinerário dura 11 dias e dez noites e custa, em média, R$ 63 mil, por pessoa.