Dois pacientes recebem transfusão inédita de sangue criado em laboratório

Cientistas britânicos realizaram a primeira transfusão de sangue com células vermelhas criadas em laboratório como parte de um estudo clínico inédito. O material foi desenvolvido a partir de células-tronco de doadores, e em seguida transplantado para dois voluntários. Caso a estratégia se mostre eficaz e segura, os pesquisadores acreditam que a técnica pode revolucionar tratamentos para pessoas com distúrbios como anemia falciforme, além de ser uma alternativa para facilitar o acesso a doações para indivíduos com tipos sanguíneos raros.

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“Esta pesquisa oferece uma esperança real para aqueles pacientes com células falciformes difíceis de transfundir que desenvolveram anticorpos contra a maioria dos tipos sanguíneos de doadores”, diz diretor-executivo da Sociedade Britânica de Anemia Falciforme, em comunicado, John James.

O projeto, chamado de RESTORE, é uma iniciativa conjunta da área de Sangue e Transplante do Sistema Nacional de Saúde do Reino Unido (NHS), da Universidade de Bristol, de Cambridge e outras instituições de pesquisa e saúde britânicas. Na fase atual, os cientistas estudam a expectativa de vida das células vermelhas crescidas em laboratório em comparação com amostras do próprio sangue de doadores.

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Como o material desenvolvido pelos cientistas é composto integralmente por células novas, enquanto o sangue comum contém unidades em diversas idades de envelhecimento, os responsáveis pelo projeto esperam que a novidade apresente um resultado melhor para o paciente.

“Esperamos que nossos glóbulos vermelhos cultivados em laboratório durem mais do que aqueles que vêm de doadores de sangue. Se nosso teste, o primeiro no mundo, for bem-sucedido, isso significará que os pacientes que atualmente precisam de transfusões de sangue regulares de longo prazo precisarão de menos transfusões no futuro, ajudando a transformar seus cuidados”, explica o pesquisador chefe do estudo, professor de Medicina Transfusional e Consultor de Hematologia da Universidade de Cambridge, Cedric Ghevaert, em comunicado.

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O Diretor Médico de Transfusão de Sangue e Transplante do NHS, Farrukh Shah, explica que esse é um ponto importante do estudo, uma vez que as transfusões regulares, embora necessárias no tratamento de determinadas doenças, podem trazer alguns riscos para o paciente.

“Pacientes que precisam de transfusões de sangue regulares ou intermitentes podem desenvolver anticorpos contra grupos sanguíneos menores, o que torna mais difícil encontrar doadores de sangue que possam ser transfundidos sem o risco de uma reação potencialmente fatal”, diz.

Para responder a essas perguntas, os pesquisadores coletaram células-tronco de doadores e amostras do sangue normal. Em seguida, utilizaram as células-tronco para desenvolver o sangue em laboratório. O projeto envolve um mínimo de 10 voluntários que receberão duas transfusões com um intervalo de ao menos quatro meses, uma com o modelo de laboratório e outra do material tradicional. Ao fim, serão comparados os resultados.

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Até o momento, apenas dois participantes receberam o novo transplante, e não manifestaram efeitos colaterais significativos. Segundo os especialistas, eles estão bem e saudáveis. Mais testes ainda serão necessários antes que a novidade seja incorporada à prática clínica, porém os pesquisadores explicam que o início dos estudos é um passo significativo para melhorar tratamentos de difícil acesso.

“Este teste desafiador e emocionante é um grande trampolim para a fabricação de sangue a partir de células-tronco. Esta é a primeira vez que sangue cultivado em laboratório de um doador alogênico (de células-tronco) foi transfundido e estamos animados para ver o desempenho das células no final do ensaio clínico”, celebra a professora de biologia celular da Universidade de Bristol, e diretora da unidade de Sangue e transplante do NHS, Ashley Toye, em comunicado.