Dois paraquedistas morrem em queda de avião em Boituva (SP)

RIBEIRÃO PRETO, SP, E SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Dois paraquedistas morreram e outras 14 pessoas sofreram ferimentos nesta quarta-feira (11) após o avião em que estavam atingir uma torre de alta tensão e cair em Boituva (a 120 km da capital paulista). O acidente ocorre menos de três semanas após uma paraquedista morrer na cidade.

O avião, utilizado por paraquedistas para saltos, colidiu com uma torre e caiu numa área de pasto ao lado da estrada vicinal Alfredo Boratini, de acordo com o Corpo de Bombeiros. A cidade é considerada a capital nacional do paraquedismo.

Estavam a bordo o piloto e 15 paraquedistas. Todos foram socorridos ainda com vida, segundo os bombeiros. O Hospital São Luiz confirmou as mortes de dois paraquedistas na tarde desta quarta.

Do total de vítimas, nove foram atendidas no São Luiz, dos quais três foram levados pelos bombeiros —os outros foram em veículos particulares.

Segundo o hospital, além dos dois paraquedistas que morreram, outros três chegaram ao local em estado grave. Dois foram transferidos pelo helicóptero da Polícia Militar ao hospital regional Adib Jatene, em Sorocaba.

O quinto está na tarde desta quarta em uma ambulância UTI (Unidade de Terapia Intensiva) aguardando na porta do hospital para ser transferido a uma unidade privada na região. Já os outros quatro pacientes atendidos com ferimentos leves passam bem.

Depois do acidente, houve vazamento de combustível da aeronave, o que fez com que as equipes de resgate isolassem o local, que também está preservado para que seja realizada a perícia técnico-científica.

O Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos) vai apurar o acidente na cidade paulista.

Por meio de nota, o prefeito de Boituva, Edson Marcusso (Cidadania), lamentou o acidente e disse foi um dia muito triste para a cidade.

"Em 50 anos de história do paraquedismo em Boituva é o primeiro acidente com uma aeronave do CNP [Centro Nacional de Paraquedismo]", disse.

Foram enviados para o local do acidente quatro veículos dos Bombeiros, além de equipes da polícia de Campinas e São Paulo.

Administrador do CNP, Marcello Costa afirmou que o avião decolou normalmente e que o piloto, experiente, ao detectar problema, procurou um local aberto para que pudesse pousar.

"Voou até os mil pés. Aí nos mil pés, o relato que a gente tem é que deu um cheiro de queimado dentro do avião e a turbina calou. O avião continuou voando, só que perdendo altura porque não tinha mais motor."

Ele afirmou, também, que a aeronave não bateu na linha de energia elétrica.​

"O piloto, com muita experiência, procurou um pasto, uma área descampada, e jogou o avião nessa área descampada. No momento do pouso, quando ele já estava em solo correndo no pasto, pegou um buraco, recolheu a bequilha e capotou. Mas não bateu voando em nada. Não tem nada disso do que estão falando, não bateu em nenhuma linha de alta tensão", disse.

O CNP de Boituva registra em média 120 decolagens diárias para fins de salto de paraquedismo, segundo a prefeitura.

O avião, ainda segundo comunicado da administração municipal, pertence à empresa de serviço aéreo especializado Skydive4Fun, instalada no CNP, de onde o avião decolou.

A reportagem não obteve contato por telefone com a empresa. Mensagens enviadas por email e redes sociais não foram respondidas.

Segundo a prefeitura, membros da empresa estavam no hospital e no local do acidente prestando solidariedade às famílias dos feridos e auxiliando com a ocorrência.

Em 24 de abril, a paraquedista Bruna Ploner, 33, morreu num acidente no Centro Nacional de Paraquedismo na cidade.

Ela, que era sargento do Exército, no momento da queda saltava com equipamentos de uma empresa particular. De acordo com a polícia, o acidente ocorreu quando ela tentou pousar.

O acidente fez a polícia pedir à Justiça a suspensão das atividades do CNP enquanto a instituição não providenciar uma UTI móvel que possa prestar atendimento imediato no local.

Nos últimos dias 5 e 9, duas reuniões ocorreram na prefeitura para discutir protocolo de atendimento de segurança e adoção de procedimentos e melhorias na gestão, estrutura e operação do CNP.

Sobre esse imbróglio, o hospital São Luiz informou na terça (10) que não tem serviço de pronto-socorro "com referência em trauma necessário para acolher adequadamente todos os casos que chegam do centro de paraquedismo".

Somente no ano passado, o hospital recebeu 34 paraquedistas acidentados levados pelos bombeiros, "com os mais diversos níveis de trauma".

"A preocupação da equipe médica é grande, pois apesar de dispormos hoje de médico emergencialista, agência transfusional de sangue e serviço de raio-X, ainda precisamos de tomógrafo próprio, arco cirúrgico, além de técnico de imobilização, médico ortopedista e cirurgião geral para podermos oferecer um serviço adequado de pronto-socorro com referência em trauma", diz o hospital.

Ainda de acordo com o São Luiz, o atendimento pré-hospitalar bem-feito no momento do trauma pode garantir recuperação mais rápida e sem sequelas, mas no caso de Bruna Ploner o caso era considerado muito complexo.

O hospital também informou que manter uma ambulância UTI no centro de paraquedismo teria custo superior a R$ 200 mil mensais e que essa estrutura seria desproporcional se não existir um pronto-socorro para atender os pacientes.

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