Dois piauienses disputam sobre quem presenteou Lula com caneta usada na cerimônia de posse

Ao menos dois piauienses afirmam terem sido eles os responsáveis por presentear em 1989 o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com a caneta usada na cerimônia de posse do último domingo. A história veio à tona após o petista chamar atenção para o objeto que iria usar durante a assinatura do termo de posse, documento que o formaliza como presidente, em fala no Congresso Nacional.

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Um desses piauienses é Fernando Menezes, de 68 anos. Militante do partido desde sua formação, ele conta ter entregue a caneta ao petista nas proximidades da Igreja de São Benedito, em Teresina, pouco antes de uma caminhada com Lula, que disputava pela primeira vez a presidência.

— Eu disse: 'Ô Lula, aqui para você assinar o teu termo de posse'. Eu achava que ele ia ganhar a eleição, mas o PT não estava ainda preparando, estava engatinhado — lembra Menezes, que segue filiado ao partido. — Nesse dia, fazia um calor de 40° e havia uma multidão de gente na praça.

Menezes disse que aquela não foi a primeira nem a última vez que ele presenteou o petista. Cachaça, mel, bonés e camisetas foram alguns dos itens dados por ele a Lula antes e depois de 1989.

Dúvidas quanto procedência da caneta surgiram nos últimos dias, após semelhanças terem sido apontadas nas redes entre ela e um modelo da marca Mont Blanc, lançado em 2002, 13 anos após o episódio narrado na posse. Menezes diz não se lembrar com exatidão qual caneta comprou, mas afirma:

— Era uma caneta comum, barata. Não me lembro o preço. — diz ele, que conta ter adquirido o item em um boteco, no município de Picos — Aquela homenagem do Lula não é para mim, é para o povo do Piauí.

Outra versão é a do jornalista piauiense Kenard Kruel, que publicou um texto em suas redes sociais afirmando ser ele o responsável por dar a caneta.

No relato, Kruel diz ter estado em um bar junto a Lula em Teresina, próximo a Igreja de São Benedito, quando o futuro presidente foi abordado por Lourdes Melo, atualmente filiada ao PCO e que foi candidata ao governo do Piauí em 2022. Lourdes queria um autógrafo do petista, que, sem caneta à mão, pediu uma emprestada a Kruel.

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"Lula nunca andou com nada no bolso. (...) Eu, ao contrário, tenho uma coleção de mais de 5 mil canetas. No bolso da camisa, não carrego menos de 10 canetas", escreveu o jornalista na publicação.

"Assinado o autógrafo, ele foi devolvê-la, mas eu não a recebi, dizendo: 'companheiro, quando você ganhar a presidência da República e for assinar o termo de posse, assine com esta caneta. Será uma grande homenagem para o Piauí, que muito ama você", conclui.

Quando foi questionado nas redes sobre a versão de Fernando Menezes, de quem é amigo pessoal, Kruel respondeu: "Eu tenho certeza da minha".

— Não vou desmentir. Ele é um amigo que eu tenho. Mas todo mundo sabe que fui quem deu a caneta — diz Fernando Menezes sobre o relato de Kenard Kruel — Agora, eu vou cobrar bem o Lula para que ele use bem a caneta para o Piauí.

O que Lula disse

Durante a cerimônia de posse no Congresso Nacional, o petista contou ter sido presenteado com o objeto quando concorreu pela primeira vez à presidência da República, ainda em 1989.

— Em 1989, eu estava fazendo comício no Piauí, quando fomos caminhar até a Igreja São Benedito. Ao terminar, um cidadão me deu essa caneta e disse que poderia assinar a posse se eu ganhasse as eleições de 1989. Não ganhei em 1989, 1994, 1998 — contou Lula, antes de complementar, homenageando os piauienses:

— Em 2002, ganhei, mas tinha esquecido minha caneta e assinei com a caneta do senador Ramez Tebet. Em 2006, assinei com a caneta do Senado. Agora eu encontrei a caneta, e essa caneta aqui é homenagem ao povo do Piau — afirmou.