Dois suspeitos de ajudar na fuga de Carlos Ghosn para o Japão são presos nos EUA

O Globo, com agências internacionais

NOVA YORK - Um homem e seu filho, suspeitos de ajudar o ex-presidente da Nissan Carlos Ghosn a fugir do Japão em dezembro, foram detidos nos Estados Unidos e devem comparecer perante um juiz na tarde desta quarta-feira, de acordo com documentos judiciais.

Michael Taylor, ex-membro das forças especiais americanas que se tornou segurança particular, e seu filho Peter Taylor, ambos com mandado de prisão no Japão , vão se apresentar por videoconferência às 16h30m (hora de Brasília) diante de um juiz federal de Worcester, no estado de Massachusetts. Os promotores disseram que Peter Taylor tinha planos de voar de Boston para Beirute nesta quarta-feira.

Ghosn voou a bordo de um jato fretado do Japão para o Líbano, onde passou sua infância e detém cidadania, no fim de 2019, enquanto aguardava julgamento por acusações de irregularidades financeiras, violação de confiança e sonegação de fundos da empresa, todas as quais ele nega.

Mais tarde, atacando os promotores do Japão pelo que ele chamou de sistema de justiça criminal "fraudulento", ele manteve sua inocência e defendeu sua decisão de fugir do Japão, dizendo que não poderia obter um julgamento justo no país.

O Japão, que rejeitou as críticas de Ghosn ao seu sistema judicial, respondeu emitindo mandados de prisão para o ex-executivo e outros suspeitos de ajudá-lo.

A detenção dos dois homens por funcionários federais nos EUA provavelmente será calorosamente acolhida por Tóquio, embora o Japão até agora tenha sido malsucedido nos esforços para garantir o retorno de Ghosn devido à falta de um tratado de extradição com o Líbano.

Os Taylors e outro homem, George-Antoine Zayek, são suspeitos de ajudar Ghosn em sua trajetória até um hotel em Tóquio e para chegar ao aeroporto e ao avião usado na fuga, usando vários métodos para impedir que ele fosse detectado, disseram os promotores japoneses em um comunicado de janeiro.

A fim de evitar a detecção, Ghosn foi contrabandeado para a aeronave em uma grande caixa de instrumento musical, de acordo com os arquivos da corte.

Classificando cada um dos Taylors de “risco de voo excepcionalmente alto”, os promotores estão pedindo que ambos sejam mantidos presos sem fiança.

"Peter Taylor não é apenas capaz de fugir enquanto está sob fiança. Ele é um especialista no assunto", disseram representantes do governo dos EUA em um processo judicial. "A trama para tirar Ghosn do Japão foi um dos atos de fuga mais descarados e bem orquestrados da história recente, envolvendo uma variedade estonteante de encontros em hotéis, viagens de trem-bala, personas falsas e o fretamento de um jato particular".

O governo afirma que Michael Taylor é o fundador da American International Security Corp. e que ele "facilitou as extrações de outros indivíduos".

O paradeiro de Zayek não é conhecido no momento. Christina Sterling, porta-voz da Procuradoria dos EUA em Massachusetts, se recusou a comentar sobre Zayek.

Segundo os promotores, Michael voou de Dubai para Boston em 16 de fevereiro. Peter fez a mesma viagem em 22 de março. Eles subseqüentemente descobriram que Peter havia reservado um voo de Boston para Beirute, a cidade para onde Ghosn havia fugido, para esata quarta-feira, com escala em Londres.

Os mandados de prisão por ambos os homens foram emitidos por um tribunal de Tóquio em 30 de janeiro e renovados no próximo mês, segundo promotores dos EUA.