Dois terço dos vereadores do Rio de Janeiro foram reeleitos

Luiz Ernesto Magalhães
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Foto: Michel Filho / Extra

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Foto: Michel Filho / Extra

Em plena pandemia e com prazos apertados para fazer campanha, a Câmara do Rio teve a mais baixa renovação das três últimas legislaturas. O percentual, que em 2012 foi de 41%, chegou este ano a 33,3%. Na eleição passada, foi de 34%. Das 51 cadeiras que estavam em disputa no domingo, 17 serão assumidas por novatos e políticos veteranos que tiveram derrotas em pleitos anteriores, como Chico Alencar (PSOL) e Laura Carneiro (DEM). Entre os estreantes, estão Pedro Duarte (Novo), Márcio Santos Araújo (PTB) ,Vitor Hugo (MDB) e o PM Gabriel Monteiro (PSD). Na reconfiguração das bancadas, três partidos terão os maiores pesos a partir de 2021. Ao lado do PSOL, também fizeram sete vereadores as legendas dos dois candidatos que disputam a preferência do eleitor no segundo turno: o ex-prefeito Eduardo Paes (DEM) e o prefeito Marcelo Crivella (Republicanos).

Novata do PT é arquiteta

O Progressistas foi o partido que mais perdeu. Das seis vagas atuais, só conseguiu manter duas, com Felipe Michel e Vera Lins. Mas, em 2016, a legenda tinha feito apenas dois vereadores. Entre os que não conseguiram se reeleger estão Marcelo Siciliano e Jorge Manaia, da tropa de choque de Crivella. O PT, que ganhou uma cadeira a mais (ficando com três), tem como novidade a arquiteta Thainá de Paula, especializada em questões ligadas ao direito à moradia. Mais votada do partido (24.881), diretora licenciada do Instituto de Arquitetura e Urbanismo (IAB) e do Conselho de Arquitetura e Urbanismo, Thainá pretende centrar seu mandato na discussão sobre o crescimento sustentável da cidade.

A composição das bancadas ainda pode mudar, mas só no PT. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não definiu a data em que vai analisar o recurso do ex-senador Lindbergh Farias, que questiona ter sido declarado inelegível na semana passada por crime de improbidade administrativa, quando era prefeito de Nova Iguaçu há mais de dez anos. Se o recurso for aceito, Lindbergh, que, com 24.912 votos, teria sido o mais votado do partido caso não tivesse com a candidatura impugnada, conquistará a vaga, deixando de fora a vereadora Luciana Novaes, que ficou em terceiro no PT.

Padrinhos políticos

Alguns nomes novos são ligados a outros políticos. No PSL, o candidato eleito Rogério Amorim é irmão do deputado estadual Rodrigo Amorim. O professor Waldir Rodrigues Moreira Júnior (Avante) foi eleito com o nome político Waldir Brazão, embora não seja da família Brazão. Durante anos, ele trabalhou como assessor dos irmãos Pedro (deputado estadual) e Domingos (conselheiro afastado do TCE). No PSOL, Mônica Benício é viúva da vereadora Marielle Franco, assassinada em 2018.

Apesar das mudanças de configuração na Câmara do Rio, seja quem for eleito prefeito, não deverá ter dificuldades para conseguir maioria. A avaliação foi feita por vereadores e assessores parlamentares. A oposição mais ferrenha para Crivella ou Paes viria dos sete parlamentares do PSOL e dos três do PT. Devido ao perfil de conciliador, Paes teria uma oposição mais sistemática de 12 ou13 nomes. Já o prefeito teria pelo menos 17 parlamentares que não estariam alinhados com seus projetos.