Dois terços dos democratas rejeitam Biden como candidato em 2024, diz pesquisa

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Uma pesquisa divulgada nesta segunda-feira (11) pelo jornal The New York Times reforçou a medida de descontentamento dos americanos com a gestão do democrata Joe Biden —inclusive dentro de seu partido.

O levantamento do veículo, em parceria com o Siena College, indica que, entre eleitores do Partido Democrata, só 26% dizem desejar ver o presidente concorrendo à reeleição em 2024; outros 64% afirmam esperar que a legenda tenha outro nome na disputa do cargo, possivelmente contra o republicano Donald Trump. Biden, 79, já disse que pretende buscar um segundo mandato.

A crise de imagem se reflete em uma sensação de pessimismo, com só 13% das pessoas dizendo ver o país no rumo certo. O número é o mais baixo na série do NYT desde 2008, época do auge da crise financeira global, no final da gestão de George W. Bush. E o sentimento é generalizado, quando se analisam os recortes por região do país, idade, cor da pele e preferência partidária.

O dado reforça ainda levantamento recente do instituto Ipsos, no qual 71% dos americanos disseram considerar que o país está na direção errada.

Outros dados da pesquisa NYT/Siena evidenciam o mau momento de Biden, que em 18 meses no cargo teve poucos avanços no Congresso, viu a Suprema Corte dar uma série de decisões adversas para suas plataformas e não conseguiu resolver o principal problema do país hoje, a inflação.

A taxa de aprovação de seu mandato chegou a apenas 33% —a média dos levantamentos nacionais na semana passada era de 38,9%, a menor cifra registrada desde o início da gestão. Mesmo considerando os partidários de Biden o índice é visto como mais baixo que o normal, próximo de 70%. Entre os que se veem como independentes dois terços desaprovam o presidente.

Pensando em 2024, 32% dos democratas citam o desempenho ruim de Biden como fator central para preferir outro candidato do partido nas cédulas. Por uma diferença de um ponto percentual, o motivo só perde para a idade do presidente, o mais velho a ocupar o cargo.

"Quero sangue mais jovem. Estou cansada de gente velha mandando no país, não quero [no poder] alguém com o pé na cova", disse ao jornal americano a professora Nicole Farrier, 38, que votou em Biden em 2020 e hoje manifesta preocupações com a elevação do custo de vida. "Eu tinha um estilo de vida confortável, mas passei para uma situação em que não posso mais pagar praticamente nada."

Segundo a pesquisa, 20% das pessoas veem o desemprego e a economia como principais problemas dos EUA hoje, à frente justamente da inflação e do custo de vida (15%). Considerando esse cenário, em que ainda 75% dos americanos disseram que a economia é um tema "extremamente importante", só 1% descrevem a situação no setor como excelente na gestão Biden.

A evidência mais candente disso é a alta de preços, hoje na faixa de 8,6% ao ano e especialmente perceptível nos postos de combustível: a gasolina custa, em média, US$ 5 (R$ 26,6) o galão, quando em janeiro a média era de US$ 3,40 (R$ 18).

Voltando à lista dos principais problemas do país, 10% apontam o estado da democracia e a polarização política, mesmo índice dos que veem as políticas de armas como o maior debate no país.

Os EUA vêm de uma série de ataques a tiros, em escolas, hospitais e festividades, e Biden reforçou sua posição de porta-voz em defesa de maior controle no acesso a armas —ainda que o tema historicamente enfrente oposição ferrenha de republicanos, alguns avanços foram conquistados nas últimas semanas.

A situação delicada de Biden é especialmente preocupante para o Partido Democrata porque em novembro haverá eleições para renovar o Congresso. As projeções mais recentes indicam a chance de uma ampla vitória republicana. Análise do ​site FiveThirtyEight aponta que a oposição tem 87% de chances de obter maioria e assumir o controle da Câmara e 55% de fazer o mesmo no Senado.

A pesquisa NYT/Siena ouviu por telefone 849 eleitores americanos em todo o país entre 5 e 7 de julho. A margem de erro é de 4,1 pontos.

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