Domínio da China nas cadeias de suprimentos preocupa os Estados Unidos

Os Estados Unidos temem que a China possa usar sua posição dominante nas cadeias de suprimentos como um meio adicional para aumentar sua influência política e militar, de acordo com um relatório de inteligência divulgado na quarta-feira (8).

A "Avaliação Anual de Ameaças", elaborada pelos serviços da direção de inteligência nacional, conclui que a China já usa seu domínio das cadeias de suprimentos para forçar empresas estrangeiras e certos Estados a transferir tecnologias e inovações.

As autoridades do gigante asiático afirmaram nesta quinta-feira que o relatório é uma “calúnia”.

O relatório afirma que "o Estado chinês pode tirar proveito de sua posição dominante nas principais cadeias de suprimentos para atingir seus objetivos, embora não sem um custo significativo para si mesmo".

Segundo o documento, a ameaça seria maior no caso de uma invasão bem-sucedida de Taiwan, também líder mundial em componentes industriais e tecnológicos, principalmente semicondutores.

Os impactos da pandemia de covid-19 mostraram ao mundo a importância dessas cadeias de suprimentos em uma economia globalizada e ilustraram como o fechamento de uma única fábrica na China ou em qualquer outro lugar do mundo pode significar a interrupção de grandes operações industriais do outro lado do planeta.

O relatório aponta em particular para o domínio chinês em setores de tecnologia como semicondutores, certos minerais, baterias, painéis solares e até produtos farmacêuticos.

Cita um discurso do presidente Xi Jinping em abril de 2020, no qual afirmou que a China busca aumentar seu controle sobre as principais cadeias de suprimentos, com o objetivo de "poder usar essa confiança para ameaçar e isolar países estrangeiros durante uma crise".

"O domínio da China sobre esses mercados pode representar riscos significativos para os setores de manufatura e consumo dos EUA e do Ocidente, se o Estado chinês for capaz de aproveitar habilmente seu domínio para ganhos políticos e econômicos", disse o relatório.

O documento também aponta para desafios militares, como as capacidades do Exército chinês sobre os mísseis convencionais, que agora "provavelmente" representam uma séria ameaça às bases americanas no leste da Ásia.

Além disso, no espaço, a China provavelmente estará "entre as melhores do mundo" até 2030 em todos os setores, exceto em algumas tecnologias específicas.

Até esta data, o braço comercial da indústria espacial chinesa será um grande concorrente de seus rivais ocidentais, conclui o relatório.

A porta-voz do ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, disse que Pequim não tem intenção de desafiar, ameaçar ou minar os Estados Unidos ou outros países. "O desenvolvimento da China é para ajudar o povo chinês a levar uma vida feliz", disse Mao.

"Os Estados Unidos, como única superpotência militar e como um país armado até os dentes, deveriam refletir sobre o que podem e devem fazer antes de criticar outros países", acrescentou.

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