Dom e Bruno: coordenador da Funai no Vale do Javari (AM) deixa o cargo após relatos de ameaças e insegurança

O coordenador da sede da Funai no Vale do Javari (AM), Leandro Ribeiro do Amaral, deixou o cargo a pedido, motivado pelo aumento da tensão na região depois dos assassinatos do indigenista Bruno Pereira e do jornalista britânico Dom Phillips, no início do mês passado. Há relatos, inclusive, de ameaças sofridas no órgão. Tanto servidores, quanto indígenas e moradores da região têm relatado sensação de grande insegurança desde o início das investigações do caso.

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Ribeiro coordenava como substituto a Frente de Proteção Etnoambiental Vale do Javari da Funai e deixou o cargo no último dia 18 de julho, segundo consta na publicação feita no Diário Oficial da União da última quarta-feira (27), assinada pelo presidente da Fundação, Marcelo Augusto Xavier da Silva. O órgão está sem um coordenador titular desde 2020, quando um servidor deixou o cargo com apenas três meses de trabalho. Desde então, apenas interinos tem assumido a coordenação da unidade.

Procurada pelo GLOBO, a Funai ainda não se posicionou sobre o pedido de desligamento do coordenador ou em relação à insegurança relatada por servidores na região.

Recentemente, houve denúncia de funcionários da Funai no Vale do Javari, que relataram, por exemplo, a visita de colombianos à sede, que perguntaram pelo coordenador e, também, fizeram questionamentos em relação ao assassinato de Dom Phillips. Um documento interno foi enviado pedindo reforço na segurança ao Ministério da Justiça e Segurança Pública. Na ocasião, a Funai afirmou à reportagem que um efetivo extra havia sido mobilizado ao órgão.

Suspeito de financiar caça e pesca ilegais está preso

Até agora, três homens ligados à pesca ilegal em terra indígena foram presos, acusados de participação direta nas mortes de Dom e Bruno. São réus: Amarildo da Costa Oliveira, vulgo Pelado, Jefferson da Silva Lima, o Pelado da Dinha, e Oseney da Costa de Oliveira, conhecido como Dos Santos.

Além do trio, outro homem, identificado como Rubens Villar Coelho, amplamente conhecido na região do Vale do Javari como Colômbia, também foi preso ao comparecer em sede policial com documentos falsos; ele, que é peruano apesar do apelido, é apontado como grande financiador da pesca e caça ilegais no Vale do Javari e também é investigado por participação no assassinato do indigenista e ex-servidor da Funai Maxciel Pereira dos Santos, em 2019. A Polícia Federal suspeita que ele também possa ter encomendado as mortes de Bruno Pereira e Dom Phillips.

Os investigadores já sabem que Colômbia comanda uma balsa de compra de pescado na cidade peruana de Islândia, que fica a poucos quilômetros de Atalaia do Norte (AM). Segundo relatos de testemunhas, ele é um indivíduo "de grande poder aquisitivo" e que seria responsável por comprar todos os pescados e carnes de caça da região. Em recente cumprimento a mandado de busca e apreensão, policiais federais encontraram diversos documentos falsos em endereço ligado ao peruano.

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