Dom Phillips: Irmã de jornalista que desapareceu na Amazônia faz apelo a autoridades

Dom Phillips é um jornalista britânico que vive no Brasil desde 2007 e está desaparecido, junto com o indigenista Bruno Araújo Pereira (Foto: Reprodução)
Dom Phillips é um jornalista britânico que vive no Brasil desde 2007 e está desaparecido, junto com o indigenista Bruno Araújo Pereira (Foto: Reprodução)

Sian Phillips, irmã do jornalista inglês Dom Phillips, desaparecido na Amazônia desde domingo na companhia do indigenista Bruno Araújo Pereira, fez um apelo para que as autoridades brasileiras se empenhem nas buscas pela dupla. Em vídeo compartilhado nas redes socias, Siam também ressaltou como o irmão ama o país e sempre se importou com a região amazônica e os que vivem no local.

"Meu irmão vive no Brasil com a sua mulher brasileira, amo o país e se importa profundamente com a Amazônia e os que vivem na região. Nós sabíamos que era um lugar perigoso, mas Dom acreditava que era possível salvar a natureza e os povos indígenas", ressaltou.

Siam explicou que o irmão estava fazendo uma pesquisa para um livro quando sumiu. Emocionada, disse estar preocupada com o jornalista e pede que autoridades brasileiras façam todo o possível para encontrá-lo.

"Aqui no Reino Unido, eu e meu outro irmão estamos extremamente preocupados. Nós amamos nosso irmão e queremos ele e seu guia brasileiro, Bruno Pereira, seja encontrados. Cada minuto importa", disse Sian.

Indigenista era alvo de ameaças

O desaparecimento foi alertado pela União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja) nesta segunda-feira. Pereira era alvo constante de ameaças por combater a invasores como pescadores, garimpeiros e madeireiros. O Vale do Javari é a região com a maior concentração de povos indígenas isolados do mundo.

— Segundo relatos dos colaboradores da Univaja, essa semana a equipe recebeu ameaças em campo, além de outras que já vinham sendo feitas, e de outros relatos já feitos para a Polícia Federal e ao Ministério Público Federal em Tabatinga — afirmou Beto Marubo, da coordenação da Univaja.

De acordo com a organização, os dois viajavam com uma embarcação nova abastecida com 70 litros de gasolina, além de sete tambores vazios de combustível.

A Univaja diz que os dois haviam visitado a equipe de vigilância indígena próxima à localidade do Lago do Jaburu (perto da base de vigilância da Funai no rio Ituí), para entrevistas de Phillips com indígenas. Os dois chegaram ao local na sexta-feira, no início da noite. No domingo, foram cedo à comunidade de São Rafael, para um encontro marcado com um líder comunitário apelidado de “Churrasco”.

No entanto, “Churrasco” não estava na comunidade, e eles conversaram apenas com a mulher do líder comunitário, de acordo com a Unijava. Em seguida, partiram para Atalaia, em uma viagem que deveria demorar cerca de duas horas. Mas não chegaram ao destino.

Sem a chegada da dupla, uma equipe de buscas, com indígenas que conhecem bem a região, saiu às 14h de Atalaia do Norte para procurá-los, mas sem sucesso. Duas horas depois, outra equipe partiu de Tabatinga mas também não encontrou vestígios dos dois.

Na manhã de ontem, três servidores da Funai e dois agentes da Força Nacional de Segurança Nacional fizeram novas buscas a partir da base de vigilância da Funai no rio Ituí. A equipe não achou pistas e o trabalho deve continuar hoje.

— As buscas têm que ser por via fluvial, com embarcações — disse Leandro Amaral, coordenador da Frente de Proteção Etnoambiental do Vale do Javari.

— Pereira é uma pessoa experiente e que conhece bem a região, foi coordenador regional da Funai de Atalaia do Norte por anos — lembrou o advogado da Univaja, Eliésio Marubo.

Mulher de Pereira, a antropóloga Beatriz de Almeida Matos disse em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo estar preocupada devido às ameaças que já foram feitas ao marido.

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