Dominguetti já compartilhou ataque de Bolsonaro contra jornalista da Folha que denunciou propina

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Luiz Paulo Dominguetti, the representative of Davati Medical Supply, and senator Omar Aziz attend a meeting of the Parliamentary Inquiry Committee (CPI) to investigate government actions and management during the coronavirus disease (COVID-19) pandemic, at the Federal Senate in Brasilia, Brazil July 1, 2021. REUTERS/Adriano Machado
Nesta quinta-feira (1º), na CPI da Covid, o vendedor de vacinas afirmou que não tinha ligação com nenhum político e não se lembrava de ter compartilhado publicações nas redes sociais de teor político Foto: REUTERS/Adriano Machado
  • O policial Luiz Paulo Dominguetti já compartilhou um ataque feito nas redes sociais pelo presidente Bolsonaro contra a jornalista da Folha de S. Paulo Constança Rezende

  • À Folha de S. Paulo, em entrevista à Constança, Dominguetti afirmou que, ao negociar com o Ministério da Saúde, ouviu uma proposta para incluir um dólar por dose da vacina, como propina

  • Nesta quinta-feira (1º), na CPI da Covid, o vendedor de vacinas afirmou que não tinha ligação com nenhum político e não se lembrava de ter compartilhado publicações nas redes sociais de teor político

O policial Luiz Paulo Dominguetti Pereira, homem que se apresenta como representante da Davati Medical Supply, empresa com quem o governo federal estaria negociando a compra de 400 milhões de doses de vacina contra a Covid-19, já compartilhou um ataque feito nas redes sociais pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) contra a jornalista da Folha de S. Paulo Constança Rezende. 

À Folha de S. Paulo, em entrevista à Constança, Dominguetti afirmou que, ao negociar com o Ministério da Saúde, ouviu uma proposta para incluir um dólar por dose da vacina, como propina. Nesta quinta-feira (1º), na CPI da Covid, o vendedor de vacinas afirmou que não tinha ligação com nenhum político e não se lembrava de ter compartilhado publicações nas redes sociais de teor político.

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Em março de 2019, no entanto, Dominguetti compartilhou uma publicação em que o presidente Bolsonaro diz que a jornalista, que trabalhava no jornal O Estado de São Paulo à época, disse "querer arruinar a vida de Flávio Bolsonaro e buscar o impeachment do presidente Jair Bolsonaro". 

O post contém um link que redireciona ao site de extrema direita que reúne ativistas conservadores e simpatizantes de Jair Bolsonaro,Terça Livre.

O conteúdo ainda mencionava o pai da jornalista, o também jornalista Chico Otavio, que atua nos jornais "O Globo" e "TV Globo." "A Globo e o Estadão querem derrubar o governo, com chantagens, desinformações e vazamentos", escreveu Bolsonaro.

Na época, após as falsas informações publicadas pelo Terça Livre, grupos governistas promoveram no Twitter uma série de postagens nas quais acusam o jornal de “mentir” na cobertura do caso Flávio Bolsonaro, investigado no caso das "rachadinhas".

Todo conteúdo do ataque à jornalista foi compartilhado por Dominguetti. Mais de dois anos depois, Constança foi "a escolhida" para receber a denúncia da propina do próprio Dominguetti.

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Site bolsonarista distorceu entrevista de Constança

Acontece que o ataque feio por Bolsonaro e compartilhado pelo vendedor de vacina Dominguetti tratava-se de um texto que falsamente atribuiu à repórter o teor da declaração.

Segundo o Estadão Verifica, agência de checagens de notícias do próprio jornal, o site Terça Livre publicou a declaração “a intenção é arruinar Flávio Bolsonaro e o governo”, ao tratar da cobertura jornalística das movimentações suspeitas de Fabrício Queiroz, ex-motorista do senador e filho do presidente.

A suposta declaração, que aparece entre aspas no título do texto do Terça Livre, teria sido dada, segundo “denúncia” de um jornalista francês, em uma conversa gravada. Na gravação do diálogo, porém, Constança não fala em “intenção” de arruinar o governo ou o presidente. 

A conversa, em inglês, tem frases truncadas e com pausas. Apenas trechos selecionados foram divulgadosm, segundo checagem.  

Em determinado momento, a repórter avalia que “o caso pode comprometer” e “está arruinando Bolsonaro”, mas não relaciona seu trabalho a nenhuma intenção nesse sentido. 

Luiz Paulo Dominguetti, the representative of Davati Medical Supply, attends a meeting of the Parliamentary Inquiry Committee (CPI) to investigate government actions and management during the coronavirus disease (COVID-19) pandemic, at the Federal Senate in Brasilia, Brazil July 1, 2021. REUTERS/Adriano Machado
A negociação não foi feita entre os dois, mas que o deputado teria tentado, de forma insistente, comprar vacinas da Davati (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

Depoimento na CPI da Covid

Na CPI da Covid, Dominguetti afirmou que a empresa que supostamente ele representa foi procurada pelo deputado federal Luis Miranda (DEM) para negociar vacinas

A negociação não foi feita entre os dois, mas que o deputado teria tentado, de forma insistente, comprar vacinas da Davati.

"O que acontece, excelência, muita gente me ligava dizendo 'eu posso isso', 'eu posso aquilo', mas eu nunca quis avançar nessa ceara porque esse 'eu posso isso, eu conheço fulano' já tinha tido um processo todo doloroso dento do Ministério. Eu, particularmente, nem a Davati, queria vivenciar isso novamente. Agora, que eu tenho a informação que parlamentar tentou negociar busca de vacina diretamente com a Davati, eu tenho essa informação", afirmou Dominguetti.

Ele reproduziu um áudio que supostamente comprovaria sua versão. No entanto, reproduzida na CPI por três vezes, a fala do deputado não se refere a vacinas, mas a "produtos".

CPI apreende celular de Dominguetti

Após Dominguetti reproduzir um áudio do deputado federal Luis Miranda, a CPI da Covid determinou a apreensão do celular do vendedor de vacinas.

Segundo informações da jornalista Ana Flor, da GloboNews, Miranda afirmou que o áudio dizia respeito à negociação de luvas cirúrgicas, não de vacinas.

O presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), relevou que conversou com o deputado federal e este afirmou que o áudio era de 2020 e não tratava de imunizantes.

Os senadores governistas tentaram frear a apreensão do celular de Dominguetti e pediram que o telefone de Luis Miranda também fosse apreendido — a requisição foi negada.

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