Domínio de "Homem-Aranha" é nocivo para uma indústria que precisa se renovar

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Tom Holland na franquia
Tom Holland na franquia "Homem-Aranha"

Ninguém discute que a lotação das salas de Homem-Aranha Sem Volta Para Casa é um alívio para boa parte da indústria do cinema. Depois de dois anos agonizando, exibidores, distribuidores e estúdios viram um filme finalmente levar pessoas aos cinemas. A combinação de vacina, queda de casos, expectativa e multiverso Marvel veio no momento certo para que o longa da Sony somasse mais de um bilhão de dólares em menos de 10 dias.

Sem Volta Para Casa é o exemplo máximo do domínio dos heróis na bilheteria, pois ao lado dos outros lançamentos do gênero em 2021, ele representa quase 30% da arrecadação total do cinema norte-americano. Este tipo de número vinha aumentando nos últimos anos, mas explodiu durante a pandemia, teve seu ápice em 2021 e não deve diminuir muito em 2022, já que Marvel e DC têm ao menos 7 filmes para lançar nos próximos 12 meses. O problema é: como ficam os outros lançamentos? O cinema pode sobreviver só de heróis e filmes do tipo?

Não, não pode. O dinheiro vai continuar a vir, mas esse monopólio de gênero e estúdios é, a médio prazo, muito mais nocivo do que benéfico. Se pensarmos em termos criativos, principalmente, ainda que sempre existam modas que dominam as bilheterias, poucas vezes se viu um domínio tão grande de um tipo de franquia. É preciso achar uma maneira de combinar grandes lançamentos com outros menores, que não só movimentam a indústria de forma criativa e expandem as possibilidades artísticas em si, mas que também contribuem para a atividade profissional e incentivam produções independentes.

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Há quem defenda que o streaming é o lugar para filmes menores e o futuro do cinema é ser a casa somente de blockbusters. Não é uma leitura fora da realidade, pois o mercado parece caminhar para algo neste sentido, porém, ela descarta o que o cinema significa como experiência e canal cultural. A intervenção de quem lida com este tipo de indústria se faz necessária, ainda que seja complexa. Como diminuir o domínio de quem faz, hoje, boa parte do mercado sobreviver para que, a longo prazo, ele se mantenha relevante? A resposta não é simples, mas o que está claro é que se seguir somente este caminho de dominação sem questionamento, o cinema virará algo como o setor de parque de diversões, que tem um pouquíssimos líderes e aspirantes desesperados por espaço. E isso não está longe de um monopólio, algo que não é bom para ninguém.

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