Dominique Strauss-Kahn vai a julgamento em Nova York por assédio à camareira

Nova York, 1 mai (EFE).- O ex-diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI) Dominique Strauss-Kahn será julgado em Nova York pelo processo civil por assédio sexual movido pela camareira e imigrante guineana Nafissatou Diallo, decidiu nesta terça-feira um juiz ao rejeitar o pedido de imunidade diplomática.

"Strauss-Kahn não pode pedir imunidade na tentativa de limpar seu nome, mas negando a Nafissatou a oportunidade de limpar o seu", afirmou o juiz Douglas McKeon, da Corte Suprema de Justiça do Bronx, em sua decisão. Os advogados do francês tinham pedido ao juiz McKeon que desprezasse o processo alegando que DSK tinha imunidade por dirigir uma organização internacional quando aconteceu a suposta agressão sexual.

"Falando em termos legais, Strauss-Kahn lança a sua própria versão de 'Ave Maria' ao afirmar que é favorecido pelo Artigo 39 da Convenção de Viena em Relações Diplomáticas por ter sido detido em Nova York", disse o juiz. McKeon ainda lembrou que o político francês renunciou voluntariamente ao posto de diretor-gerente do FMI dias após ter sido preso, por isso "não possuía imunidade".

Por outro lado, os advogados do político francês disseram em comunicado que vão continuar lutando contra as acusações. "Estamos decepcionados com o Tribunal por não aceitar o pedido de desprezar o caso civil contra Strauss-Kahn".

O midiático caso contra DSK começou no ano passado com a detenção do político no interior de um avião no aeroporto John F. Kennedy em Nova York quando embarcava para Paris, depois da Polícia receber a denúncia por assédio sexual de Nafissatou.

O processo penal seguiu até agosto, quando após o pedido da Promotoria, DSK ficou livre das acusações por falta de credibilidade da mulher. No entanto, os advogados de Nafissatou recorreram à justiça civil em 8 de agosto do ano passado acusando o ex-diretor-gerente do FMI de haver assediado sexualmente a imigrante de forma "sádica, proposital, brutal e violenta".

Em uma audiência sobre o caso em março, o juiz se mostrou cético diante da imunidade apresentada por Strauss-Kahn, e lembrou que nos documentos de fundação do FMI o privilégio dos dirigentes "não é total".

Diante da decisão judicial, o socialista francês de 62 anos, tem pela frente um processo que se soma aos que já tem na França. Em seu país, Strauss Kahn foi acusado em março por três juízes da cidade de Lille por agressões sexuais e prostituição. No entanto, o político foi libertado sob controle judicial após o pagamento de uma fiança de 100 mil euros. EFE