Dona da Ortopé é acusada de fraude por C&A, Renner e Riachuelo

Grupo DOK, das marcas Ortopé e Dijean, usou notas falsas de varejistas para simular vendas e obter aportes de fundos de investimento (REUTERS/Nacho Doce)
Grupo DOK, das marcas Ortopé e Dijean, usou notas falsas de varejistas para simular vendas e obter aportes de fundos de investimento (REUTERS/Nacho Doce)
  • Empresa é dona de marcas de calçados como Ortopé e Dijean;

  • Grupo DOK usou notas falsas de varejistas para simular vendas e obter aportes de fundos de investimento;

  • Credores acreditam que pedido de recuperação judicial já estava nos planos dos dirigentes, que já teriam fugido do país.

O grupo DOK, que atua na fabricação de calçados com marcas como Ortopé e Dijean, está sendo acusado por grandes varejistas e instituições financeiras de promover uma fraude milionária a partir da emissão de notas fiscais frias e falsificação de carimbo.

A empresa teria emitido falsas notas fiscais de vendas para simular um movimento inexistente na companhia. Desta forma, ela conseguiu obter aportes e créditos milionários do setor financeiro. Dentre as empresas utilizadas nas notas frias estão as varejistas Lojas Renner, C&A e Riachuelo.

DOK pede recuperação judicial

Agora, a companhia alega uma dívida de R$ 400 milhões e está se preparando para pedir recuperação judicial. Só que as empresas credoras acreditam que o pedido seja uma manobra para enganar o Judiciário e sair ilesa. As informações são do jornal Hojemais Araçatuba publicadas na segunda-feira (16).

O grupo já estaria sofrendo ações de execução de sua dívida das empresas credoras, que totalizam um valor de R$ 9 milhões. A consultora DASA Advogados, contratada pelo DOK, conseguiu obter uma liminar na Justiça de Birigui, onde a empresa é sediada, para suspender as ações de execução.

A medida, contudo, foi suspensa pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), a partir da apresentação das notícias crime por parte dos credores enganados. Um dos pedidos foi realizado pelo escritório FZ advogados, que está representando diversos fundos de investimento no caso.

Denúncia do crime

A suposta fraude foi descoberta a partir da análise de milhares de duplicatas emitidas em nome da Riachuelo, varejista com a qual o Grupo DOK sequer teria contrato no período da venda. Só com esta empresa de vestuário teriam sido emitidas 1.400 notas fiscais frias, representando um movimento de R$ 20 milhões. O mesmo aconteceu com a C&A e as Loja Renner, que afirmam desconhecer milhares de notas de supostas vendas do grupo.

Conforme denunciado ao Ministério Público, a prática envolveria outras dezenas de empresas varejistas, e 90 empresas do setor financeiro, com um prejuízo somado de R$ 370 milhões. Foi solicitado à Justiça a retenção dos passaportes de todos os sócios e administradores, apesar de informações obtidas pelo portal confirmarem que muitos já saíram do Brasil. Também foi pedida uma intervenção judicial na administração da empresa e a suspensão da inscrição estadual do grupo.

Segundo a denúncia à Promotoria, a fraude foi descoberta em dezembro de 2022. O Grupo DOK teria então afastado o responsável financeiro do grupo e seu irmão, que não integrava formalmente o quadro de funcionários da empresa. Em seus lugares teria assumido o pai, que contratou uma consultoria financeira para ajuizar um pedido de recuperação judicial. Suspeita-se então que a companhia já tinha em seus planos obter vantagens financeiras mediante a ação de recuperação, tendo planejado tudo desde o início.