Dona do Burger King no Brasil recusa oferta de compra de R$ 938,6 milhões

Especialistas apontam que a oferta para o Burger King deveria ser de algo entre R$9,96 e R$13,47 por ação
Especialistas apontam que a oferta para o Burger King deveria ser de algo entre R$9,96 e R$13,47 por ação

(Getty Images)

  • Zamp, controladora do BK no Brasil, recusa oferta de compra;

  • Proposta do Mubadala Capital, fundo soberano dos Emirados Árabes, foi considerada baixa;

  • Fundo queria comprar ações por R$ 7,55, o que movimentaria R$ 938,6 milhões.

A Zamp, operadora brasileira que controla o Burger King e o Popeyes no país, informou nesta quarta-feira (17) que recusou a oferta de compra feita pelo Mubadala Capital, fundo soberano dos Emirados Árabes. A decisão foi tomada pelo Conselho de Administração, com base no parecer de analistas contratados para avaliar o caso.

Segundo os especialistas, a proposta não era equivalente ao valor da companhia. No dia 1º de agosto, o Mubadala fez uma oferta pública de aquisição (OPA) para obter 45,15% das ações da Zamp, pagando R$ 7,55 por ação. Se fosse aceito, o acordo movimentaria R$ 938,6 milhões e transferiria o controle da antiga BK Brasil ao fundo soberano.

Dos sete integrantes do conselho, apenas um se absteve. Os demais votaram contra a venda dos 124,3 milhões de papéis ordinários ao Mubadala. O parecer dos assessores financeiros aponta que o valor das ações deveria estar "entre R$9,96 e R$13,47 nesta data, com ponto médio de R$11,72, valores superiores ao Preço por Ação da Oferta".

O documento também justifica a negativa dizendo que a empresa correria o risco de ter um controlador definitivo, o que a afasta do regulamento do Novo Mercado da B3 (Bolsa de Valores do Brasil). "Os interesses do potencial novo atual acionista controlador podem ser conflitantes com os interesses dos demais acionistas", abrindo espaço para a tomada de decisões isoladas sobre temas como "operações com partes relacionadas, reorganizações societárias, venda de todos ou substancialmente todos os ativos, assim como determinar a distribuição e pagamento de quaisquer dividendos futuros”. O efeito poderia ser adverso para a companhia.

Agora, o Mubadala terá que decidir se retira a oferta, aumenta o preço ou se arrisca ir para o leilão – marcado para 15 de setembro - sem a certeza de que sairá vencedor.