Dona Ilda, missionária que rezava em QG, não foi presa pela Polícia Federal em Brasília e está viva

A idosa que aparece rezando em um vídeo viral, “dona Hilda”, não faleceu nem foi presa pela Polícia Federal (PF) após os ataques em Brasília, ao contrário do que alegam publicações compartilhadas milhares de vezes nas redes desde ao menos 10 de janeiro de 2023. Em vídeo, a própria senhora desmentiu as alegações. Um pastor da Assembleia de Deus Ceilândia Norte, igreja que ela frequenta, chamou de “fake” os conteúdos sobre sua suposta morte e confirmou à AFP que ela não foi presa. A PF negou que tenha havido mortes em suas dependências e o nome da idosa não consta na lista de presos da Seape/DF.

“Lula matou dona Hilda, agora ela está nos braços de Deus” e “Guerreira morreu lutando por liberdade!”, dizem legendas de um vídeo com mais de 160 mil visualizações no Facebook e no Twitter.

Outras publicações sugerem que a idosa teria sido presa pela Polícia Federal em Brasília e comparam o suposto ocorrido com a situação do ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral, liberado para cumprir prisão domiciliar em dezembro de 2022: “Marginais solto. E senhora de 90 anos taxada como terr0r1sta..piada pra PF”.

Captura de tela feita em 24 de janeiro de 2023 de uma publicação no Facebook ( .)

Esta é a quarta verificação realizada pelo AFP Checamos sobre idosas associadas a supostas mortes nas dependências da Polícia Federal em Brasília, para onde foram levados os envolvidos nos ataques de 8 de janeiro de 2023 (1, 2, 3).

No dia 11, a PF encerrou suas atividades de polícia judiciária. À AFP, sua assessoria de imprensa disse que não foi registrada nenhuma morte em suas dependências. Em nota divulgada no mesmo dia, o órgão informou que 1.159 presos foram encaminhados à Polícia Civil do Distrito Federal, responsável pelo encaminhamento ao Instituto Médico Legal e, posteriormente, ao sistema prisional.

“Bem, com saúde, viva”

Uma busca avançada no Twitter pelo nome “Hilda”, vinculado à idosa nas postagens, levou a um vídeo, publicado em 10 de janeiro, da senhora desmentindo as mensagens.

“Estamos no propósito aqui, bem, com saúde, viva, sã. (...) Eu vi essa mensagem, sabe que aquela mensagem foi negativa, é mentirosa. Eu estou bem”, diz ela. Uma mulher que grava as imagens a chama de “irmã Ilda” e diz que ela está bem, em Ceilândia Norte, “orando e jejuando”.

O mesmo registro também foi encontrado no Instagram, no TikTok e no Facebook.

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Em outro vídeo, publicado em 14 de janeiro, uma moça avisa que Ilda está na igreja orando e tem um recado para “os patriotas que estão presos”. A idosa diz: “Gente, eu sou a irmã Ilda, estive com vocês lá no QG e eu estou vendo os vídeos e não vejo ninguém falar em Deus”.

A partir de informações apontadas nos registros, a equipe de verificação da AFP fez uma pesquisa no Google pelos termos “irmã Ilda” e “Ceilândia”, que levou a um vídeo no canal do YouTube da Assembleia de Deus Ceilândia Norte (ADCN) intitulado “ADCN, 43 anos. Eu faço parte! Irmã Ilda”. Na gravação, publicada em 2014, ela diz pertencer à igreja há 39 anos.

Na página da igreja no Facebook, há diversos registros de Ilda, como um álbum de seu último aniversário, publicado pelo pastor Silva.

À AFP, ele afirmou em 23 de janeiro que a alegação sobre a morte da missionária é “fake” e que havia estado com ela na igreja na tarde do dia anterior. O pastor ainda acrescentou que Ilda não foi presa.

Uma consulta às listas de pessoas presas nos ataques na Praça dos Três Poderes, feitas pela Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seape) do Distrito Federal, não mostra registros de “Ilda” ou “Hilda”.

Esse conteúdo também foi verificado pelo Aos Fatos.