Donas de maquininhas negociam com governo crédito para autônomos e microempreendedores

Leo Branco
Meios de pagamentos: A chegada de novas tecnologias acirra a guerra das maquininhas, com novos agentes e credenciadoras reduzindo taxas para lojistas

SÃO PAULO – As empresas do setor de maquininhas de cartão negociam há duas semanas com a equipe econômica do governo Jair Bolsonaro a criação de uma linha de crédito para ajudar uma parcela importante de seus clientes: autônomos e microempreendedores que viram seus negócios travarem por completo com a escalada da do coronavírus.

Segundo Pedro Coutinho, presidente da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de crédito e Serviços (Abecs), a ideia é colocar recursos do Tesouro Nacional à disposição de um contingente de 10 milhões de donos de maquininhas. Atualmente, cerca de 80% desta base está sem renda ou teve prejuízos significativos com a crise.

– O setor tem capilaridade, está em todos os municípios brasileiros e tem condição de saber quem está precisando mais de recursos nessas horas – diz Coutinho.

A Abecs vem conversando com o Banco Central para definir critérios para a concessão do crédito. O plano é analisar a base de dados das empresas para estabelecer as regras para a concessão dos empréstimos. Por ora, ainda não há definição sobre o o volume de recursos que poderá ser utilizado.

No sábado, em videoconferência a investidores organizada pela corretora XP, o presidente do BC, Roberto Campos Neto, disse que a autoridade monetária e o Ministério da Economia estudam maneiras de transformar as maquininhas de cartão em fornecedoras de crédito em meio à crise.

Em paralelo às tentativas do governo federal em colocar crédito na mão de autônomos e pequenos empreendedores, há empresas de cartões se mexendo para emprestar recursos à base.

A Cielo colocou R$ 5 bilhões à disposição dos clientes. Por causa da epidemia, a Cielo se comprometeu a pagar em até dois dias os valores das vendas realizadas a prazo por donos de maquininhas com faturamento de até R$ 15 milhões.

Além disso, se comprometeu a entregar encomendas compradas por meio de suas maquininhas em 19 cidades. A ação começa em 10 de abril.

A Stone se comprometeu a oferecer R$ 100 milhões em linhas de crédito a microempreendedores de estados com regras de isolamento social para quem pode trabalhar de casa, além de R$ 30 milhões em iniciativas para estimular os negócios. Entre elas, estão a isenção de mensalidades para as máquinas e a entrega de maquininhas adicionais sem taxa de delivery.

Por causa da crise, a PicPay se comprometeu a isentar a taxa cobrada de empresas sobre o recebimento dos pagamentos feitos através de sua plataforma, que opera com contas digitais acessadas por smartphones. A isenção vai até o fim de abril.

Na Getnet, a estratégia foi liberar o acesso, sem custo, para a loja digital mantida pela administradora de cartões com ferramentas online para gestão dos negócios de donos das maquininhas. O acesso está liberado por 60 dias.